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Espaço Vip | Dançarino Brasileiro é destaque no Atlanta Ballet
Friday, 16 March 2018 00:00


Alexandre Gonzaga Barros nasceu no Rio de Janeiro em 1993, onde viveu até os 9 anos de idade quando ele teve seus primeiros encontros com a dança e as obras clássicas tradicionais. Um dia, acompanhando sua irmã, Ana Clara, para a aula de ballet dela na Escola de Dança Alice Arja, e ele foi convidado por uma professora de ballet que o incentivou a fazer uma aula como teste.

Nessa época, Alexandre fazia futebol e frequentava a escola de ensino fundamental e nunca tinha pensado em estudar dança. Ele refletiu sobre o desafio e porque não tentar algo novo e aprender sobre aquelas danças e músicas. Então, ele fez aquela aula de ballet e desde aquele dia Alexandre nunca mais parou de dançar e iniciou uma carreira promissora como bailarino. Ele começou a dançar naquela escola mesmo, a Escola de Danças Alice Arja, onde ele participou de vários concursos, produções artísticas e onde recebeu aulas de sapateado, jazz, ballet, história da dança e teatro. Posteriormente começou a participar de competições em várias cidades rasileiras.

Aos 11 anos ele decidiu fazer uma prova de seleção para a Escola Estadual de Danças Maria Olenewa (EEDMO) ligado ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Alexandre passou na prova e se tornou aluno dessa escola por quatro anos. Em várias oportunidades dançou com o Corpo de Ballet do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e participou de vários concursos a nível estadual e nacional no Brasil.

Aos 15 anos, ainda estava dançando na EEDMO, decidiu que queria ser um bailarino profissional com o sonho de dançar no exterior. Junto com a sua família dedicou-se a aprender como gravar vídeos fazendo aula de ballet para participar de audições e buscar novos rumos. Enviou esse material para várias escolas de dança nos Estados Unidos e na Europa.

Sua trajetória iniciou-se com aprovação para quatro escolas diferentes com bolsa de estudos. Depois de muita análise, decidiu ir para a escola The Harid Conservatory em Boca Raton na Flórida nos Estados Unidos. Foi muito difícil para ele e seus pais que não falavam inglês. Contando com a ajuda fundamental de um tio que dominava o inglês, a família iniciou o processo de regulamentação para a viagem e a transferência dele para residir naquele país. Chegou à cidade de Boca Raton onde conheceu o corpo de professores e bailarinos da escola de dança e em especial uma das professoras que mais influenciou em sua carreira: Victória Scheneider. No Harid Conservatory aprendeu que para aquela profissão que ele tanto desejava era necessário um trabalho duro, muito sério, disciplinado e de dedicação exclusiva.

Todas as manhãs, ele e os outros alunos do Harid Conservatory frequentavam a escola regular para completar o ensino médio, ele tinha cursado o 1º ano do ensino médio no Rio de Janeiro e deveria cursar o 2º e 3º ano na Spanish River High Sacholo. A falta de domínio do inglês provocou muita dificuldade para manter suas notas altas e ser aprovado, Alexandre lembra que várias vezes o medo e a ansiedade eram grandes, mas com perseverança ele continuava a batalha, muitas vezes telefonava para seus pais (que são professores no Brasil) para pedir ajuda e estudar com eles pelo telefone. Dois anos se passaram e a High School estava concluída com grande êxito, grande vitória.

Durante as tardes Alexandre fazia aulas de ballet, jazz, caratê, pás de deux, variação e outras. Nos dois anos no Harid Conservatory, sem nunca repetir nenhuma disciplina na escola regular e com excelência no ballet, o inglês foi se tornando uma língua fluente e dominada. Seu grande êxito profissional na Harid conservatory foi alcançado com a sua formatura no ballet e com o recebimento do renomado prêmio “Rudolf Nureyev” pela sua excelência na dança. Competiu no “Youth American Grand Prix” em Nova York, quando ficou entre os melhores chegando na etapa final da competição. Na época com 17 anos estava formado em dança e com seu acadêmico concluído com grande êxito, era chegado o momento de novos passos para equilibrar sua carreira que se iniciava naquela época na etapa profissional propriamente dita.

Precisava arrumar um emprego para caminhar rumo ao seu objetivo profissional e se manter nos Estados Unidos, porque agora formado e findada a sua bolsa de estudos, sua família não teria condições pra mantê-lo morando fora do Brasil. Então fez muitas audições em companhias de ballet americanas, conheceu muitas pessoas no mundo da dança, foi quando conheceu John McFall, diretor do Atlanta Ballet que o convidou para fazer uma aula. Alexandre fez a aula e se apaixonou pela companhia e pela cidade de Atlanta. Então decidiu mudar-se para a cidade e aceitar a proposta de emprego que lhe fora feita. Começava ali uma nova etapa, agora como bailarino da Companhia de Ballet de Atlanta.

Hoje, com 24 anos e membro da Companhia Atlanta Ballet, ele aprendeu muito sobre o mundo da dança. Nesse período foram muitos espetáculos e de mais atividades, destacando-se entre muitas montagens.


1. Jackie Nash & Alex Barros in 7 for 8 (photo by C McCullers Courtesy of Atlanta Ballet). | 2. Jackie Nash & Alex Barros in Nutcracker (photo by KimKenney. Courtesy of Atlanta Ballet) | 3. Alex Barros & Alessa Rogers. Classical Symphonies Rehearsal (photo by Charlie McCullers). | 4. F. Loi & A. Barros in Don Quixote (photo by Kim Kenney. Courtesy of Atlanta Ballet). | 5. T Lee, H GIll, A Barros in Playground (photo by C McCullers. courtesy of Atlanta Ballet). /



Alexandre se orgulha de ter tido a honra de ser coreografado por grandes coreógrafos como: Gustavo Ramires Sanssano, Helen Picket, David Bentley e John McFall (seu mentor). Com o Atlanta Ballet ele participou de espetáculos de gala em comemorações com turnês pela China em 2013 e ao Canadá em 2015.

Um grande momento de seu trabalho se consagrou quando ele foi convidado pelo Atlanta Ballet para lecionar de Técnica Masculina, Pas de deux e Técnica Clássica, o que antes parecia um sonho hoje já fazia escola, pois ele se tornou professor de inúmeros bailarinos em formação e poderá difundir todas as técnicas, métodos e experiência que adquiriu em sua carreira.

Aquele menino que há pouco tinha apenas 15 anos e sonhou ser um bailarino profissional no exterior, hoje é um homem que olha pra sua história com orgulho e gratidão a todos que passaram pelo seu caminho e o ajudou, um carinho especial para a sua família que fez de tudo para apoiá-lo na busca desse sonho e até hoje estão de longe acompanhando e incentivando e também a sua noiva por todo o suporte e amor durante todos esses anos.

Leia a seguir uma entrevista com Alexandre.


Quem foi a sua inspiração (o seu ídolo) para você decidir seguir carreira como dançarino?

Meu ídolo foi o bailarino Cícero Gomes. Quando eu fui para a Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, quando ainda era bem novo, eu tive a oportunidade de conhecer Cícero. Na época tinha acabado de se formar pela mesma escola e estava a caminho do Teatro Municipal do Rio. Hoje em dia ele dança com o Teatro Municipal do Rio. Eu ainda lembro a capacidade artística e física de Cícero. Quando eu era criança e tinha a oportunidade de assisti-lo era uma honra e uma alegria sempre.


Você tem alguma preferência de estilo de dança?

A minha preferência é a dança contemporânea, mas eu gosto de dançar e de aprender vários estilos diferentes. Geralmente os estilos mais incomuns e complicados são os que eu prefiro, pois é sempre um desafio e uma forma nova de mover meu corpo e minha mente.


Conte-os um pouco sobre a sua rotina em Atlanta. O que você gosta de fazer quando está de folga do seu trabalho?

De terça a sábado eu acordo às 7 da manhã, tomo meu café, ando com os meus cachorros, me arrumo e vou para o ballet. Eu faço aula de ballet de 9:30 até 11:00 da manhã. Depois eu ensaio de 11:15 até às 18:15. Quando eu chego em casa eu faço jantar e brinco com as minhas cachorras. Depois eu vou para a academia para levantar peso. Volto pra casa leio um pouco e vou dormir às 23:00. Quando eu estou de folga eu gosto de ir pra natureza, conhecer lugares novos e passar um tempo com a minha noiva e amigos. Adoro acampar, fazer trilha e conhecer cervejarias novas.


Foi fácil a sua adaptação na cidade de Atlanta?

Minha adaptação em Atlanta foi maravilhosa. Quando eu me mudei para cá eu tinha 17 anos de idade. Sete anos depois e eu já morei em quatro bairros diferentes e conheci vários lugares maravilhosos. E ainda hoje eu conheço lugares novos na cidade todo mês. Eu adoro morar em Atlanta.


Quais os seus planos profissionais para o futuro? Há algum projeto de dança que você gostaria de realizar?

Meu plano profissional é aprender a maior variedade possível de estilos e coreografias em quanto meu corpo ainda permite. Quando ficar mais velho eu gostaria de dar mais aulas de dança. Com dois pais professores, está no meu sangue ser professor. Eu já dou aula há quatro anos e eu tenho um prazer enorme quando ensino.


Que conselho você daria para um imigrante que gostaria de buscar uma oportunidade no munda da dança nos Estados Unidos?

Para um bailarino brasileiro que tenha o mesmo sonho que eu tive meu conselho “é não espere ficar mais velho para fazer audição”. O tempo é agora. Faca audição e não tenha vergonha de pedir ajuda a pessoas mais experientes. Ninguém fara por você. Se esse é o seu sonho, comece a trabalhar nele.

Deixe a sua mensagem para a comunidade brasileira de Atlanta e faça também o seu convite para poderem te prestigiar em suas apresentações e espetáculos.

Atlanta tem um mundo artístico maravilhoso. A dança em Atlanta incorpora muitos estilos e muitas companhias da cidade são maravilhosas. Não percam a oportunidade de assistir shows. Sempre que tiver um tempo, vá assistir a um show. Talvez você também goste dos desafios que a dança apresenta e queira fazer aulas e virar um bailarino também. E estarei dançando pelo Atlanta Ballet no Cobb Energy Center até maio de 2018. Venha assistir um show e talvez a gente se encontre e aprenda algo novo juntos.


Da Redação

Last Updated on Friday, 16 March 2018 18:06
 
Espaço Vip | Uma história fantástica! Brasileiro planeja ir ao Brasil assistir às Olimpíadas pedalando
Friday, 18 September 2015 00:00


Talvez uma viagem mude a sua vida. Quando nós saímos da nossa zona de conforto e nos aventuramos em conhecer novos povos e culturas, mesmo que não queiramos, há um choque que pode mudar nosso modo de ver a vida. Foi isso que aconteceu com o catarinense Adilson Maria em 1996, ano em que foram realizados os jogos olímpicos de Atlanta.

Tudo começou quando seu tio, que era acostumado a fazer longas viagens de bicicleta, teve uma ideia bastante maluca: pedalar até os Estados Unidos para assistir as olimpíadas em 1996. Ninguém achava que isso seria possível, mas ele insistia.

Na época, Adilson era professor de tênis e decidiu, então, viajar 120 km de distância, de Itajaí a Florianópolis, de bicicleta, com o apoio do prefeito da cidade. Foi sem dinheiro para ver um amistoso do Brasil e lá foi entrevistado. Um torcedor pagou seu ingresso. “Se eu viajei 120 km e deu certo, acho que ir para os Estados Unidos pode dar muito certo também”, pensou Adilson.

A ideia amadureceu de vez e, um ano depois, ele decidiu partir para uma aventura fantástica, apesar do tio já ter mudado de ideia e não ir junto. Foi a São Paulo, onde uma Escola de Inglês deu-lhe R$1.000,00 e uma bicicleta Caloi. E ele ia ganhando mais R$100,00 em cada escola do grupo nas capitais em que ele conseguia chegar. Foram 15.320 km percorridos, 600 litros de água consumidos, 30 noites dormidas na estrada, acampando em sua barraca e outras em quartéis. Seu pai era militar e conseguiu apoio dos colegas de outros países. Foram gastos US$ 2,500 e ele só poderia gastar 10 dolares por dia. Talvez fosse mais caro que uma viagem de avião com todo o conforto da época; mas que graça teria? Foram 15.320 km de bicicleta, com uma média de 100 km por dia. Nos primeiros dias, ele achou que não conseguiria, mas acertou o ritmo. No entanto, houve trechos de avião e ônibus. Ele saiu no dia 9 de dezembro de 1995 e chegou em Atlanta em 15 de julho de 1996. Morou em Dunwoody, em Roswell e em Marietta. Viveu aqui em Atlanta por 12 anos. Hoje, com 42 anos, mora na Florida há oito.

Sobre o desafio, ele diz que valeu a pena, apesar de não poder ir ao velório da sua mãe, que falecera enquanto ele estava em viagem. Ele ficou bastante triste, mas conseguiu superar a dor enfrentando o desconhecido. Tinha medo de passar por El Salvador, que vivia um momento bastante tenso na época, mas foi o país que teve mais facilidade para atravessar.

Ele teve recepção de celebridade na Barra do Sahy, no Espírito Santo, com direito a estouro de fogos e faixas de incentivo, depois de dar uma entrevista a um programa de esporte. Teve seu walkman roubado em São Paulo. Perdeu-se em Salvador, na Bahia, e passou por rigorosa entrevista na fronteira americana, com total desconhecimento da língua Inglesa.

Enfrentou situações inusitadas nas estradas americanas, em trechos onde o tráfego de bicicleta não é permitido. Hoje acha engraçado lembrar que nessa ocasião o policial gritou “get off, get off”, mas ele não entendia nada. Depois de ter que mostrar o significado disso no dicionário, o oficial mostrou um caminho alternativo e ele conseguiu vencer mais um dia.

Chegando aqui, viu partidas de basquete e de tênis. Conheceu o Pelé, então Ministro dos Esportes. Um mundo novo descortinava-se e ele começava a gostar. A escola de inglês ofereceu-lhe uma passagem de volta, mas ele decidiu ficar. Teve apoio de conterrâneos, entregou pizza e trabalhou na construção. Casou-se duas vezes com brasileiras, mas hoje está só, querendo se casar pela terceira vez. Como se vê, desafio e persistência são com esse catarinense.

Agora ele quer repetir a façanha e assistir no Rio de Janeiro as olimpíadas com a mesma bicicleta que o trouxe até aqui. “Quero levar essa bicicleta a Itajaí e colocá-la em exposição no Museu da Cidade”, diz, cheio de coragem e orgulho.

Mas dessa vez ele quer levar um cearense de 22 anos com ele, e quem sabe algum outro sonhador, que queira passar o que ele passou e que não se arrepende. Pretende fazer um site, quer registrar tudo, fazer boletins de cada lugar, buscar patrocínio e superar a resistência física de um homem com mais de 40 anos com o mesmo entusiasmo que o trouxe. Adilson já se prepara fisicamente e já se diz pronto. Será que mais alguém aceita o desafio e se junta à dupla? Seria interessante um comboio com toda a orientação de quem conhece o caminho das pedras.

E ele deixa sua mensagem: “Tive um grande prazer de fazer o que fiz. Hoje dou muito valor à minha vida e aprendi a viver intensamente cada instante presenteado por Deus.”

Nós, da Cia Brasil, estamos torcendo por Adilson e vamos acompanhá-lo, pedalada por pedalada nessa viagem.

É uma história de vida fantástica, não é mesmo?

E você, como chegou aqui? Qual é a sua história? Você conhece uma história interessante como essa que acabamos de contar? Entre em contato conosco e nós vamos ter muito prazer em registrá-la.









Por Wilson Versolato
Jornalista

Last Updated on Friday, 18 September 2015 14:46
 


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