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Bem Estar | AnsiedadeVocê já ouviu falar de "Normose”?
Tuesday, 16 May 2017 00:00


Normose é definida como o conjunto de normas, valores, conceitos, estereótipos, formas de pensar ou agir, dos quais são aprovados pela maioria de uma sociedade, e que pode “provocar” sofrimento ou doença. Os criadores do termo foram Roberto Crema, Jean-Ives Leloup e Pierre Weil, que participaram de um simpósio em Brasília e desta parceria escreveram o livro “Normose: a patologia da normalidade”.

Crema inspirou-se em autores como Erich Fromm, que falava do medo da liberdade, afirmando que a normose “ocorre quando o contexto social que nos envolve caracteriza-se por um desequilíbrio crônico e predominante”. Tornou epidêmica em períodos históricos em transições culturais, quando o que era normal passa a ser absurdo, ou até desumano. Comportamentos inadequados nos quais agimos de forma ilusória, considerando normal, talvez pelo hábito de tal ação, não se dando ao trabalho de pensar ou questionar. Como exemplos de normose, pode ser desde aceitar imposições e escândalos políticos onde a população é bombardeada com notícia de roubos, crimes etc., chegando ao ponto de acreditar que esse é o perfil da política e dos políticos. 

Mas vemos também no consumo desnecessário e a necessidade de manter o tal status, fazemos coisas apenas porque são considerados normais. Isso gera a inveja, a vontade de querer o que não se precisa. Se pensar um pouco, quantas blusas precisa ter? Quantos “likes” são suficientes na foto que postou? Você acha estranho postar várias fotos com a mesma roupa? Costuma se arrumar no domingo para ir à igreja, mas não usa a mesma roupa para jantar com a família? Essas e outras são apenas exigências fantasiosas que para alguns se tornam necessidades básicas, isto é, normal. 

Sabemos que os estímulos são muitos, como a mídia e as redes sociais, pelos quais praticar a autoconsciência se torna uma tarefa árdua. Seria a necessidade de, a todo custo, ser como os outros, se preocupar com o que irão falar, pensar... É mais fácil fazer e seguir a maioria. Mas se pretende sair da tal “zona de conforto”, é importante saber que só assim algo irá acontecer. Pensar sobre as coisas que faz diariamente e quais dessas coisas, você realmente esta de acordo em fazer; pensar que normose não implica em não suprir suas necessidades, mas estar consciente das coisas que está abrindo mão, por exemplo: sabemos que perder dias horas do seu dia no trânsito não é saudável, mas se tornou normose por acreditarmos que é normal para os que vivem em grandes cidades.

Esse processo estimula a identificação dos seus valores e o questionamento dos que foram incutidos ou “impostos” pelo outro. Ser capaz de criar os seus conceitos e definições do que realmente te interessa ou não, se dar o direito de liberdade no pensar sem julgamento, para certo e errado. 

Convido-lhe a sair do estado de normose. Convido-lhe a olhar no espelho, ser menos perverso consigo. Você pode começar se perdoando por não fazer o que a maioria das pessoas entende como normal. Ao invés de fazermos a pergunta “Esse caminho é normal?”, podemos nos perguntar, como diria Carlos Castañeda: “E esse caminho tem coração?”.



Por Rosemeire Guimarães
Psicóloga e Neuropsicóloga CRP 6/93955
55 11 98445 8816 (whatsapp)
Email: This e-mail address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it (Skype)
Site: www.psiquecogitare.com

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Last Updated on Tuesday, 16 May 2017 18:09
 

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