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Comportamento | Psicoterapia e saúde mental
Thursday, 16 November 2017 00:00


Há mais de 100 anos, Freud já falava sobre a ligação do corpo e mente. Você já deve ter ouvido a expressão “quando a boca cala, o corpo fala”. Já mencionei em outros artigos, mas não custa nada repetir: não nascemos com manual de instruções. Cuidar da mente, visando sempre o equilíbrio das emoções e sentimentos deveria o primeiro passo e motivo de orgulho.

Quando atendi pessoas com compulsão alimentar, em um hospital público de São Paulo, por várias vezes ouvia relatos como: “Serei mais feliz se chegar ao peso X”. Porém, quando finalmente alcançavam o tal peso, seja por reeducação alimentar ou por meio de cirurgia bariátrica, a tal felicidade não havia chegado e a insatisfação era projetada em outro ponto.

Durante as sessões de psicoterapia, o paciente entendia o porquê do tal vazio, preenchido de forma inconsciente com os alimentos, assim também ocorria com os casos de perda excessiva de peso, nos quais a pessoa se sente cheia de dor e exaustão, não conseguindo comer, e com isso perdendo peso rapidamente.

Estes são apenas exemplos. A ideia é cuidar da saúde mental como se cuida do corpo. Com o exercício mútuo da mente e do corpo, você terá o corpo malhado e mente saudável. Podemos chamar isso de inteligência emocional.

De que adianta ter se não pode ser? Em outras palavras, de nada adianta ter coisas materiais e um corpo escultural se não tiver saúde mental. Claro, a ideia é manter os dois em equilíbrio.

A ignorância impede o pedido de socorro. Para algumas pessoas, dizer que está fazendo psicoterapia é vergonhoso. Se disser que o psiqui receitou medicações então... será considerado louco, com certeza. Existem aqueles que consideram o tratamento psicoterápico como bobagem, fraqueza, frescura, pessoa que quer chamar atenção, ou seja, coisa de gente doida.

Recentemente, uma pessoa me procurou com sinais graves de depressão. Afirmava que não procurou ajuda antes porque o pai havia dito que “depressão é doença de rico”. Segundo o psicólogo Vinícius Torres, por muitos anos a Psicoterapia era direcionada para pessoas de classe alta, devido ao alto valor das sessões e por ser considerado um luxo para aqueles com maior poder aquisitivo. Com esse direcionamento, criou-se a ideia de que fazer terapia não era para os “pobres” e que tal investimento só valia em situações graves.

Contudo, sabemos que a falta de saúde mental não atinge apenas aqueles que podiam pagar pela psicoterapia, mas pessoas de qualquer gênero, cor de pele ou classe social. Com o aumento de psicólogos formados, iniciou-se um movimento de popularizar a psicoterapia e torná-la acessível a todas as pessoas, com o principal objetivo de prevenir o desequilíbrio emocional ao invés de tratar só depois da saúde emergir.

Atualmente, aquelas pessoas que decidiram cuidar de si, investir no autoconhecimento, na busca pelo equilíbrio emocional e no desenvolvimento das suas relações pessoais e profissionais, ainda enfrentam preconceitos próprios e de pessoas próximas quando assumem estar fazendo psicoterapia.

É comum o profissional escutar de clientes: “Relutei bastante em procurar tratamento porque nunca pensei ser grave”; ou alguns estigmas sociais como: “Não fiz antes porque sempre pensava que não era doido”; ou até mesmo: “Faço escondido porque tenho vergonha”. É fato que ao iniciar a psicoterapia você não precisa avisar todas as pessoas, mas se lhe questionarem, sinta-se à vontade em dizer que decidiu investir em você.

Muitas pessoas têm dúvidas se devem iniciar ou não, mas se colocados na balança os prós e os contras de procurar um psicólogo, a balança tende sempre a pesar para os prós. Ainda é comum se utilizar o preço da sessão como o principal motivo para deixar a terapia em segundo plano. Entretanto, alguns sequer chegam a procurar um terapeuta para negociar o preço ou fazer uma sessão experimental. É comum que, depois de iniciar, muitos pacientes se queixam pela infelicidade de não terem iniciado antes, dizendo: “Se eu soubesse que era tão bom dedicar uma hora da nossa semana para mim, teria iniciado há muitos anos”.

Sua saúde mental é extremamente importante, ainda mais quando nos deparamos com situações inesperadas ou pessoas extremamente desequilibradas. Além disso, a distância da família e amigos que estão no Brasil, os planos que ficaram de lado, aquele sentimento de solidão ou de “estar sem rumo”, merece nossa atenção e cuidado.

Para finalizar, pense que a psicoterapia é coisa de gente valente que se ama. Só os mais corajosos estão dispostos a assumir a rédeas da sua vida, a parar e culpar os outros pelas coisas ruins que lhes acontecem, a não jogar a sujeira para baixo do tapete, a serem responsáveis pelas suas escolhas e pelo enfrentamento das consequências. Coisa de louco é não saber o quanto é preciso coragem para enfrentar a si mesmo. Só os mais fortes conseguem.

Se não tem saúde mental, não tem nada.





Por Rosemeire Guimarães
Psicóloga e Neuropsicóloga CRP 6/93955
55 11 98445 8816 (whatsapp)
Email: This e-mail address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it (Skype)
Site: www.psiquecogitare.com

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Last Updated on Thursday, 16 November 2017 12:23
 

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