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Editorial | A primavera das mulheres
Friday, 16 March 2018 00:00

O clima quente da primavera está atrasado para a estação florida de Atlanta. Março começou com o friozinho do inverno ainda presente na troca da estação. Mas, mesmo com o clima frio, já se pode ver as cores da primavera se espalhando pela cidade.

Março também é o mês da mulher. Trinta dias antes do Dia Internacional da Mulher, uma campanha a nível global, convocando as mulheres do mundo inteiro para uma paralização no dia 8 de março, esteve entre os assuntos mais comentados do mundo no Twitter com a #8M. A campanha teve origem na Espanha e rapidamente se alastrou mundo a fora com menções de milhões de mulheres na Espanha, Chile, Argentina, México, Brasil, Colômbia, Estados Unidos, Croácia, Turquia, Polônia, e inúmeros outros países. No Brasil, houve protestos em cerca de 50 cidades, com a participação de milhares de mulheres em São Paulo e no Rio de Janeiro, sob slogans como “Mulheres sem medo de lutar”.

Outras manifestações romperam barreiras em lugares onde as mulheres possuem mínimo ou nenhum direito, como alguns países muçulmanos, entre eles a Turquia e Iraque, países onde 300 mulheres correram pelas ruas de Mossul na primeira maratona celebrada na cidade libertada do Estado Islâmico há oito meses. Na Arábia Saudita, um grupo de mulheres correu pelas ruas, uma das liberdades adquiridas com a política de abertura do novo príncipe herdeiro, Mohamed Bin Salman. Centenas marcharam também em Cabul, capital do Afeganistão, algo nunca visto sob o regime talibã.

A mobilização feminina do #8M resultou em protesto em mais de 170 países por reconhecimento de seus direitos e respeito por todas as contribuições da mulher na sociedade, a denúncia contra a violência doméstica e o assédio sexual no trabalho, igualdade salarial entre homens e mulheres, e reconhecimento profissional da mulher. A campanha também expressou visões sobre a política do mundo atual. No Brasil, mulheres fizeram protestos não só contra o machismo e o feminicídio, mas também contra o Governo Temer e a falida Reforma da Previdência. Em Belo Horizonte, além da manifestação, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais promoveu um evento no centro da cidade, que se estendeu por todo o dia, para pedir mais presença de mulheres na atividade pública.

Nos Estados Unidos o número de mulheres ingressando no mundo da política triplicou-se logo após o Women’s March que tomou as ruas pela primeira vez, um dia após a posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, em janeiro de 2017. Em sua segunda edição, o Women’s March de 2018 tornou-se a maior mobilização da história americana, com mais de 3,3 milhões de participantes em dezenas de cidades. Agora a pauta cresceu, e o movimento feminista ganhou mais frentes de reivindicações, social e política, inclusive o movimento é um dos que mais apoiam uma solução imigratória para os jovens do DACA.

A expectativa é de que o número de protestos femininos cresça este ano. O foco de muitos partidos políticos está no incentivo à participação de mulheres na Política, entrando na disputa por cargos públicos nas eleições de 2018, assim como à Presidência da República Americana em 2020.

Parabéns a todas as mulheres da comunidade Brasileira de Atlanta!

Tenha uma boa leitura!



Cristiane Castilho
Editora-Chefe
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Last Updated on Friday, 16 March 2018 13:17
 

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