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Capa | Suicídio. Alerta para pais e adolescentes: Um tabu na sociedade que ninguém quer falar
Wednesday, 13 March 2019 00:00


De acordo com algumas teorias baseadas na biologia, são três os instintos básicos de todos os seres vivos, incluindo os seres humanos, o instinto de sobrevivência, o de reprodução e o de fuga ou luta quando se sente ameaçado. De acordo com a hipótese de Sigmund Freud, o ser humano teria o que ele chama de “pulsões” que se colocam em oposição: “Eros” e “Thanatos” (instinto de vida ou morte). Ainda segundo Freud, toda a vida humana é regida por estes dois impulsos “pulsões”, sugerindo que todo o ser humano, independente de sexo ou idade, tem uma demanda natural para o sexo e uma demanda natural para a vida ou a luta contra a morte.

Mas o que se tem visto de uma forma assustadora é que estes impulsos ou pulsões como chamava Freud, estão de alguma forma se deteriorando e não parecem ser mais os elementos básicos da conduta humana. Temos visto um aumento alarmante de suicídios que antes se manifestavam mais na idade adulta e agora se tem registro de crianças cometendo suicídio. A finalidade deste artigo é discorrer um pouco sobre este assunto sem pretender ser a única verdade.


Se a vida é o instinto mais básico dos seres vivos por que os seres humanos estão se matando?


É sabido que o número de pessoas com desequilíbrio emocional ou problemas psiquiátricos tem crescido de forma exponencial. A demanda criada pela mídia, em especial as mídias sociais, onde as pessoas mostram uma vida que não têm e comportamentos que não possuem, criando assim um grande espaço entre a realidade em que se encontram e a mentira que tentam mostrar, cria uma sensação de vazio muitas vezes inegociável; e também da sociedade que muitas vezes põe em dúvida valores básicos que regiam a vida até o momento, deixando a pessoa insegura em suas emoções e em seus valores, criando na mente, uma sensação enorme de insegurança e insatisfação.

O suicídio não tem explicações objetivas. Agride, estarrece, silencia, mata a esperança. É um tabu, traz a vergonha, condenação, sinônimo de loucura, proibido na conversa com filhos, pais, amigos etc.

Segundo estatísticas, cerca de 976 mil pessoas se mataram no ano 2018 em todo o mundo – uma taxa de 13,5 para cada 100 mil habitantes. Isso significa um suicídio a cada 37 segundos. No caso do Brasil, a média é de 4,5 suicídios por 100 mil habitantes nos últimos 20 anos. Número relativamente baixo, se comparado à taxa da Finlândia, por exemplo, que é de 23,4 casos em 100 mil pessoas. Dentro de um país, o Brasil ou outro, as taxas mais altas vêm da comunidade indígena e dos imigrantes, principalmente dos núcleos que perderam muito da sua identidade. O suicídio é hoje a 14ª causa de morte no mundo inteiro. E a terceira entre pessoas de 15 a 44 anos, de ambos os sexos. O assunto tem causado grande preocupação e merece ser conhecido por todos.

Existem vários estudos comprovando a influência da cultura, do ambiente e da religião sobre as taxas de suicídio, seja como facilitadores, seja como limitantes. As taxas de suicídio mais baixas encontram-se em países islâmicos, seguidos de países hinduístas, cristãos (mais baixas em católicos que em protestantes) e budistas, nessa ordem. As taxas mais altas vêm de países “ateus”, que compunham o antigo bloco comunista: Lituânia, Letônia, Estônia, Rússia, Cuba e China. A religião aparece, portanto, como um mecanismo de “proteção” contra o comportamento suicida (todas as crenças religiosas condenam, em maior ou menor grau, o suicídio).


Por que algumas pessoas querem viver e outras não?


Por trás do comportamento suicida, há uma combinação de fatores biológicos, emocionais, socioculturais, filosóficos e até religiosos que, embaralhados, culminam numa manifestação exacerbada contra si mesmo. Existem causas imediatas predisponentes – como perda do emprego, fracasso amoroso, morte de um ente querido ou falência financeira – que agem como o último empurrão para o suicídio.

O suicídio então, muitas vezes resulta deste sentimento profundo de desesperança. A incapacidade de enxergar soluções para problemas ou lidar com circunstâncias desafiadoras da vida que podem levar as pessoas a verem a morte como a única opção para o que é realmente uma situação temporária. A depressão, reforçando, é um fator de risco fundamental para o suicídio; outros como os listados acima incluem transtornos psiquiátricos, uso de substâncias, dor crônica, histórico familiar de suicídio e uma tentativa prévia de suicídio. A impulsividade geralmente desempenha um papel entre os adolescentes que tiram suas vidas.

Por outro lado, podemos afirmar, parodiando Jesus Cristo, “Atire a primeira pedra” quem nunca pensou em morrer, sumir, desaparecer para escapar de uma sensação de dor ou de impotência extrema. É comum ao ser humano sem nenhum dos problemas acima citados, experimentar pelo menos uma vez na vida, um momento de profundo desespero e de grande falta de esperança. Mas, quando se é “saudável”, pode se planejar um suicídio na segunda-feira, e na quarta-feira a pessoa está rindo de novo, porque aos poucos, os seus sentimentos e ideias se reorganizam. Porque a pessoa procurou de alguma forma um apoio, uma saída e encontrou alguma forma de compreensão.


Entendendo o Suicídio


A pessoa chamada "psicoticamente deprimida" que tenta se matar não faz isso por simples "falta de esperança" ou qualquer convicção abstrata de que os ganhos e perdas desta situação justificam tal ato. E certamente não é porque a morte parece subitamente atraente.

- Você realmente queria morrer?

- Ninguém comete suicídio porque quer morrer;

- Então por que eles fazem isso?

- Porque eles querem parar a dor.

A pessoa em quem sua agonia invisível alcança um nível insuportável, se matará da mesma maneira que uma pessoa saltará da janela de um arranha-céu em chamas. Não se engane sobre as pessoas que pulam de janelas em chamas. Seu terror de cair de uma grande altura ainda é tão grande quanto seria para qualquer um, o medo de cair permanece uma constante. A variável aqui é o outro terror, as chamas do fogo: quando as chamas se aproximam o suficiente, cair para a morte se torna o menos terrível de dois terrores. Mesmo que as pessoas que não estejam no incêndio gritem: "Não!", "Aguente!", “Não faça isto”, não há como fugir do medo das chamas que se aproximam e a pessoa salta.

Existem muitos mitos sobre o suicídio, e um deles é a crença equivocada de que conversar sobre isso com uma pessoa em perigo a encoraja. Se um ente querido expressar pensamentos ou planos de suicídio, é essencial iniciar uma conversa. É sumamente importante abordar essa discussão procurando ajuda, recursos concretos como um terapeuta ou uma linha direta de prevenção do suicídio, e acompanhando a pessoa ao longo do tempo.

Algumas pessoas, por puro despreparo, afirmam: "Suicídio é egoísmo". Alguns são mais agressivos e chamam o suicídio de: “Um assalto covarde aos vivos” ou ainda “Suicídio é uma forma de assassinato premeditado”. Provavelmente, o fazem por razões variadas tais como: para evitar a possibilidade da culpa, para desabafar a raiva, ou simplesmente porque falta o sofrimento necessário para simpatizar com quem pratica tal ato. Não entendem que manter uma existência intolerável, apenas para poupar família ou amigos de um sofrimento parece ou é impossível para alguns.

Entendemos então que o suicídio não é uma doença mental em si, mas uma consequência potencial grave de transtornos mentais tratáveis que incluem depressão grave, transtorno bipolar, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno de personalidade borderline, esquizofrenia, transtornos por uso de substâncias e transtornos de ansiedade como bulimia e anorexia nervosa, entre outros.


Como podemos identificar os sinais, comportamentos ou sintomas de pessoas que podem chegar ao suicídio:


  • Tristeza excessiva ou mau humor: Tristeza duradoura, alterações de humor e raiva inesperada.
  • Desesperança: Sentir um profundo sentimento de desesperança em relação ao futuro, com pouca expectativa de que as circunstâncias possam melhorar.
  • Problemas de sono.
  • Sossego súbito: De repente, ficar calmo depois de um período de depressão ou mau humor pode ser um sinal de que a pessoa tomou a decisão de encerrar sua vida.
  • Retirada: A escolha de ficar sozinho e evitar amigos ou atividades sociais também são possíveis sintomas de depressão, uma das principais causas de suicídio. Isso inclui a perda de interesse ou prazer nas atividades que a pessoa desfrutou anteriormente.
  • Mudanças na personalidade e/ou aparência: Uma pessoa que está considerando o suicídio pode exibir uma mudança de atitude ou comportamento, como falar ou se mover com velocidade ou lentidão incomum. Além disso, a pessoa pode, de repente, tornar-se menos ou mais preocupada com sua aparência pessoal.
  • Comportamento perigoso ou autodestrutivo: Comportamentos potencialmente perigosos, como dirigir imprudentemente, praticar sexo sem proteção e aumentar o uso de drogas e/ou álcool podem indicar que a pessoa não valoriza mais sua vida.
  • Trauma recente ou crise de vida: Uma grande crise de vida pode desencadear uma tentativa de suicídio. As crises incluem a morte de um ente querido ou de um animal de estimação, o divórcio ou o rompimento de um relacionamento, o diagnóstico de uma doença grave, a perda de um emprego ou sérios problemas financeiros.
  • Fazendo os preparativos: Muitas vezes, uma pessoa que está considerando o suicídio começará a colocar seus negócios pessoais em ordem. Isso pode incluir visitar amigos e familiares, doar pertences pessoais, fazer um testamento e limpar seu quarto ou sua casa. Algumas pessoas vão escrever uma nota antes de cometer o suicídio. Alguns vão comprar uma arma de fogo ou outros meios como veneno.
  • Suicídio ameaçador: De 50% a 75% dos que pensam em suicídio, darão a alguém - amigo ou parente - um sinal de alerta. No entanto, nem todos que estão considerando o suicídio dirão, e nem todos que ameaçam o suicídio seguirão em frente.

Toda ameaça de suicídio deve ser levada a sério! Se alguém que você conhece apresentar algum desses sintomas, por favor, procure uma ajuda profissional.


Você não está sozinho


No núcleo familiar e comunitário, a melhor prevenção é falar sem temores sobre suicídio e saber identificar os pedidos de socorro das pessoas próximas. Ninguém precisa dar uma solução para os problemas do outro, deve apenas aprender a ouvir. As pessoas encontram as soluções dentro de si quando conversam e refletem sobre seus conflitos e emoções.

Seguem algumas dicas de como buscar ajuda para você ou alguém que você conhece que apresenta sintomas de problemas que podem levar ao suicídio:

1. Procure ajuda com um psiquiatra e com um terapeuta profissional.

2. Nos Estados Unidos, há vários serviços de ajuda 24 horas para emergências relacionadas ao suicídio. Para citar alguns: a National Suicide Prevention Lifeline 1-800-273-8255; a Treatment Advocacy Center Hotline 1–800–SUICIDE (1.800.784.2433); a Georgia Suicide & Crisis Hotlines – 770.422.0202 (Marietta) – Veja a lista completa no site: www.suicidehotlines.com/Georgia; e a Art of Healing Clinic (404)355-1662, aonde atende o médico brasileiro, Dr. Wesley Bandeira. Essas linhas diretas chamadas “hotlines”para a prevenção do suicídio, estão disponíveis em várias línguas para qualquer pessoa que deseja ligar e conversar com um profissional. O serviço atende, em média, 1 milhão de ligações por ano. Isso revela a necessidade que as pessoas têm de falar sobre seus conflitos. Quando o assunto é suicídio, abrir-se pode ser terapêutico.

3. Escolha e selecione suas amizades: Tire pessoas negativas da sua vida que lhe trazem para baixo.

4. Busque a Deus, talvez uma igreja, ou uma entidade que você acredita para um suporte emocional

5. Comece a se exercitar. O exercício gera a seratonina e endorfina.

6. Faça algo que você goste como pintar, viajar etc.

7. Evite assistir a filmes, vídeos no Youtube ou escutar histórias tristes e negativas. Alimente a sua mente com coisas positivas, como algo que levante o seu humor.

8. Mude o seu estilo de vida e reflita em seus propósitos: Todos nós temos valores diante de Deus e da nossa vida.

9. Comece a passar mais tempo com os seus filhos e passe menos tempo nas redes sociais.

10. Ajude aos outros. Faça caridade. Atos de ajuda ao próximo engrandecem nosso senso de bem-estar!



Dr. Wesley Bandeira
Fundador e criador da terapia CTERT
Core Transformation Emotional Relieve Therapy
Terapeuta na Art Of Healing Atlanta-Clinic

Last Updated on Wednesday, 13 March 2019 18:02
 

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