Home Bem estar Bem Estar | Mente e estômago
Bem Estar | Mente e estômago
Tuesday, 15 October 2019 00:00


Existe um ditado muito conhecido que fala “Diz-me com quem andas e eu te direi quem és”. Quero fazer uma brincadeira e usando esta ideia direi outro ditado: “Diz-me como te sentes, que te direi como anda tua digestão.” É do conhecimento da Medicina e totalmente aceito neste meio pelos especialistas de várias áreas que existe uma conexão direta entre o cérebro e o sistema digestório; e mais: que as emoções podem determinar, entre outras coisas, se seu intestino é preguiçoso ou acelerado, dependendo do seu humor e estresse, e que o movimento inverso, alterações no trato digestório determinará, de alguma forma, a emoção da pessoa, ou seja, “Diz-me como está tua digestão e teus intestinos e eu te direi como tu te sentes.”

A relação entre emoções e funções corporais tem sido percebida há um bom tempo desde a antiguidade e pesquisadores da Medicina têm prestado mais atenção às atividades viscerais (dos órgãos) que acompanham os estados afetivos. Na Medicina grega antiga, por exemplo, as funções psíquicas eram geralmente atribuídas às da região do tórax e do abdômen. Aristóteles fez observações significativas no coração e, por um processo razoável de pensamento, passou a considerar esse órgão como a principal sede da atividade psíquica. Por essas influências tão antigas até hoje usamos expressões como emoções viscerais, assuntos do coração, coração duro e entranhas de misericórdia.

Hoje em dia existe uma gama de expressões que ligam o sistema gastrointestinal às emoções, tais como: não consigo engolir esse fato; isso me embrulha o estômago; isso não me desce; aquela garota é apetitosa; o sabor da emoção; engolir sapos; fiquei com água na boca; entre outas. Há ainda fenômenos digestórios que acompanham as diferentes emoções ou afetos que são denominados como somatização. Por exemplo, as tendências retentivas se manifestariam pela constipação, o vômito poderia ser expressão de alguma “coisa simbólica” que está no estômago, insuportável, os sintomas sendo a expressão de um conteúdo psíquico na linguagem do corpo.

Podemos dizer que o equilíbrio entre cabeça e barriga é grande e com muita ação. Qualquer interferência mental pode causar cólica, diarreia, gastrite, úlcera e até doenças mais sérias, como a síndrome do intestino irritável. Fato interessante é que a origem embriológica do cérebro é o intestino; portanto, esta comunicação é tão íntima que se fala hoje em cérebro intestinal. Um exemplo disso é que quase toda a serotonina (hormônio do bem-estar e que tem influência em depressões) produzida pelo corpo vem do intestino, e não do cérebro. Também é no intestino que são produzidas 80% das defesas orgânicas, além de uma grande quantidade de hormônio do crescimento (conhecido como GH).

Outro exemplo e usando um pouco de Biologia para explicar: o hipotálamo (uma região do cérebro onde se encontram numerosos centros do sistema nervoso simpático e parassimpático que regulam sono, apetite, temperatura corporal etc.) capta as emoções e as transfere para trato digestório pelo nervo vago e pelo sistema nervoso entérico. No estômago, o nervo vago controla a liberação do suco gástrico, então, quando ocorre um problema emocional, essa liberação de suco gástrico é alterada. Nos intestinos, o nervo vago atua sobre os movimentos peristálticos (movimento dos intestinos), e se ficamos estressados, por exemplo, esses movimentos ficam alterados ou para mais acelerados causando diarreias ou mais preguiçoso causando constipação intestinal. Ou seja, um problema emocional pode virar uma dor de barriga, ou um problema digestório pode virar uma depressão.

Podemos também, de uma forma bem simples, entender um pouco o que se passa com uma pessoa fazendo uma leitura da sua condição digestiva. Pelo vômito, o indivíduo busca se desfazer de algo nocivo para o organismo. Esta nocividade pode ser física, mas também ligada a fantasmas conscientes ou inconscientes. Assim, muitas vezes o engolir pode contrariar um desejo profundo do indivíduo. Em relação ao aparelho digestório inferior, há a constipação que acompanha diferentes doenças orgânicas do trato digestório, gerando uma fragilidade do estado geral do paciente, dores de cabeça e angústias; ela é um dos sintomas somáticos da depressão e da ansiedade patológica, ligada à fixação a um estado afetivo em que a solução dos problemas passa pela retenção (estágio anal), em que a pessoa que passa por uma situação de conflito é levada a “não mudar nada” e manter aquilo que já adquiriu. São pacientes que geralmente apresentam uma grande resistência, desejam de forma inconsciente manter “congelada” uma situação.

Percebe-se também que as diarreias funcionais são desencadeadas pela angústia aguda, na maioria das vezes em crianças, e nas situações em que a pessoa se sente submetida a uma grande exigência. É como se as diarreias fossem uma forma de exprimir tendências a cometer falhas e às vezes de repará-las. Quando temos medo, não sobra tempo para análise das impressões, e assim a expelimos sem serem digeridas, daí a diarreia ser um sintoma ligado à problemática do medo e gerar expressões como “estar se borrando de medo”.

Com base na percepção de que a região gastrointestinal é sensível às nossas emoções, pessoas com problemas nessa região podem e devem utilizar-se das diversas formas terapia, um acompanhamento multidisciplinar para reduzir o estresse ou lidar com a ansiedade ou depressão, além da prática de meditação e yoga, com exercícios de respiração e alongamento corporal. Essas práticas costumam trazer bons e rápidos resultados nos sentimentos que lhe incomodam em sua vida diária, melhorando os sintomas referentes ao problema gastrointestinal e sua vida emocional.



Dr. Wesley Bandeira
Fundador e criador da terapia CTERT
Core Transformation Emotional Relieve Therapy
Terapeuta na Art Of Healing Atlanta-Clinic

Last Updated on Tuesday, 15 October 2019 13:36
 

Translate

Portuguese English Spanish