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Saúde | ENXAQUECA OU DOR DE CABEÇA FORTE?
Wednesday, 15 July 2020 00:00


Há muitas ideias equivocadas sobre a enxaqueca (migraine em inglês). A primeira delas, é que qualquer dor forte na cabeça com náusea e vômitos é enxaqueca. Vou procurar, numa sequência de artigos aqui na Cia Brasil Magazine, esclarecer e trazer as melhores e corretas informações sobre o tema enxaqueca e cefaleias.

Cefaleia é um termo médico que significa dor de cabeça. Existem mais de 100 tipos diferentes, e a enxaqueca é um deles.

A enxaqueca é a terceira doença mais comum no mundo, que ocorre no cérebro, e de predisposição genética, ocorrendo, inclusive e comumente, em membros da mesma família. As pessoas que apresentam enxaqueca têm uma certa região do seu cérebro mais sensível do que de outras. Nessas pessoas, certos estímulos específicos atuam sobre essas células sensíveis e produzem uma atividade elétrica anormal e a liberação de diversas substâncias químicas. Conforme a atividade elétrica e os produtos químicos se espalham pelo cérebro, a sequência de sintomas vão surgindo.

A crise de enxaqueca pode ser dividida em quatro etapas com sintomas distintos. Na premonitória, o período anterior à dor de cabeça, é comum o desejo por determinados alimentos como chocolate, alterações de humor (irritação, hiperatividade ou estado depressivo), cansaço, bocejos e retenção de líquidos.

Depois vem a aura, que normalmente precede a crise, mas também pode ocorrer simultaneamente. Ela ocorre em 15 a 25% das enxaquecas e consiste em perturbações transitórias e reversíveis da visão, do equilíbrio, coordenação dos músculos ou da linguagem. Com frequência, as pessoas veem luzes denteadas, trêmulas ou pulsáteis, ou apresentam um ponto cego central com limites trêmulos. Podem também apresentar embasamento visual, pontos ou manchas escuras na visão, linhas em “zig zag” e pontos luminosos. A aura pode durar de alguns minutos a uma hora. A sensação de formigamento, a perda de equilíbrio, a fraqueza de um braço ou de uma perna e a dificuldade de falar são sintomas menos frequentes.

Em seguida, certos vasos sanguíneos do cérebro são atingidos e sofrem uma contração e nesse momento surge a dor. As membranas que cobrem o cérebro (meninges) também podem ser atingidas, ficando irritadas e originando mais dores.


ASSIM, OS SINTOMAS TÍPICOS SÃO:


  • Dor geralmente unilateral, latejante e pulsátil, mas também pode ser em peso; ou em “pressão para fora”, como se a cabeça fosse explodir; ou “para dentro”, como algo apertando; ou até mesmo queimando. Possui intensidade moderada ou forte, que se mantém de quatro a 72 horas e piora com o movimento. É uma dor incapacitante e frequentemente obriga o paciente a recolher-se num quarto escuro e ao silencio;
  • Náuseas;
  • Vômitos;
  • Hipersensibilidade à luz (fotofobia), aos sons (fonofobia) e a certos odores (osmofobia).

Essa área de latejamento corresponde geralmente à região temporal, mas a localização pode variar de crise para crise, pode ocorrer em qualquer lugar da cabeça. Poucas são as pessoas em que a dor nunca muda de lugar.

Por último vem a fase de resolução, que é a recuperação do organismo após a dor intensa de cabeça e se caracteriza por intolerância a alimentos, dificuldade de concentração, dor muscular e fadiga.

Cerca de 10% das crianças em idade escolar sofrem de enxaqueca. Metade dos adultos enxaquecosos tiveram sua primeira crise de enxaqueca antes dos 12 anos de idade. Embora o sintoma mais dramático e conhecido da enxaqueca em crianças costume ser a dor de cabeça, é importante apontar que esse sintoma não é necessariamente o único da enxaqueca. Aliás, a dor de cabeça pode ser leve ou até mesmo estar ausente numa criança durante uma crise. Outros sintomas, como mal-estar digestivo, falta de apetite, dor de barriga, diarreia, enjoo, vômitos, hipersensibilidade ao toque do couro cabeludo (dói para pentear o cabelo, enxugar a cabeça ou quando alguém faz carinho na cabeça), tontura, moleza, letargia, sonolência, bocejos e até alterações do humor, podem ocorrer durante uma crise de enxaqueca. Em crianças pequenas, a enxaqueca costuma durar meia a uma hora, sendo que por volta da adolescência essa duração vai aumentando para uma faixa entre três horas e três dias.

A enxaqueca acomete 15% da população brasileira, a maioria na faixa dos 25 aos 45 anos, principalmente em mulheres. Após os 50, a taxa tende a diminuir. Quando se trata de crianças, ocorre em 3% a 10%, afetando igualmente ambos os sexos antes da puberdade. Após essa fase, o predomínio é no sexo feminino.

A doença é uma das principais causas de falta ao trabalho. A média é de quatro dias perdidos de trabalho por ano. O prejuízo anual causado pela população trabalhadora enxaquecosa nos Estados Unidos foi avaliado em US$1,4 a 17 bilhões e na Europa entre 18 a 27 bilhões de euros. Estima-se que os custos indiretos possam ser ainda maiores, pois não contabilizam os prejuízos no trabalho doméstico, não remunerado. A enxaqueca influencia também as atividades familiares, sociais e escolares.

Foi realizado um grande estudo global (My Migraine Voice) com coleta de informações em 31 países (na América do Norte e do Sul, incluindo o Brasil, Europa, Oriente Médio e Norte da África e região Ásia-Pacífico). Um total de 11.266 indivíduos adultos participaram dessa pesquisa. Os dados foram coletados entre setembro de 2017 e fevereiro de 2018 através de um questionário on-line.

A pesquisa revelou que 60% dos trabalhadores afetados pela versão crônica da doença perdem, em média, uma semana de trabalho por mês; cerca de 37% deles informaram que convivem com a enxaqueca há dezesseis anos ou mais. Os dados ainda revelaram que a enxaqueca reduz a produtividade em 53%. A ausência do trabalhador ainda gera outro problema, sua estigmatização, que é julgado por colegas e chefes por tirar licenças médicas devido à doença.

O diagnóstico é clínico, ou seja, baseado na avaliação criteriosa das queixas do paciente. Como apresentado, embora a dor seja o sintoma padrão, há uma diversidade muito grande na sua apresentação e dos sintomas associados. Assim a experiência clínica do profissional, uma história detalhada e o autoconhecimento do paciente e dos seus sintomas são fatores fundamentais para o diagnóstico correto. Esses sintomas não ocorrem de forma isolada; habitualmente as pessoas apresentam um conjunto desses sintomas, em grupos.

Não existem exames específicos para diagnosticar a enxaqueca. Os que habitualmente se realiza, como, por exemplo, tomografia, ressonância magnética, eletroencefalograma e alguns exames de sangue, são para afastar (descartar) outras doenças que causam as outras dores de cabeça.

Nos próximos artigos vou abordar as causas, os estímulos e os fatores desencadeantes, os diversos tipos diferentes de enxaqueca, os tratamentos disponíveis e atitudes de ordem prática na vida cotidiana que atuam preventivamente.



Dr. Carlos Hanzani
Médico Homeopata e Psicanalista na Art Of Healing Atlanta-Clinic
www.artofhealinginc.com
Phone: (404) 355-1662

Last Updated on Wednesday, 15 July 2020 19:28
 

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