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Saúde | O QUE CAUSA A ENXAQUECA?
Monday, 17 August 2020 00:00


Este segundo artigo sobre enxaqueca trata sobre os tipos e os fatores desencadeantes. Mas, em primeiro lugar, gostaria de rememorar a definição de enxaqueca.

A enxaqueca é uma doença do cérebro, de predisposição genética, que ocorre comumente em membros da mesma família. As pessoas que apresentam enxaqueca têm uma certa região do seu cérebro mais sensível do que de outras. Nessas pessoas, certos estímulos específicos atuam sobre essas células sensíveis e produzem uma atividade elétrica anormal e a liberação de diversas substâncias químicas. Conforme a atividade elétrica e as substâncias químicas se espalham pelo cérebro, a sequência de sintomas vão surgindo.

Os principais tipos de enxaqueca, segundo a Fundação Americana de Enxaqueca (American Migraine Foundation) são: enxaqueca com aura e enxaqueca sem aura. No primeiro artigo expliquei que há certas pessoas que antes da dor apresentam alguns sintomas, especialmente visuais e esse momento é chamado de aura. O restante dos sintomas nesses dois tipos, são da enxaqueca clássica.

Existe a enxaqueca sem dor de cabeça, também conhecida como enxaqueca silenciosa. A pessoa apresenta alguns dos outros tipos de sintomas, como aura, distúrbios visuais, náusea e outros.

Já a enxaqueca hemiplégica é uma variante que se assemelha a um derrame na medida em que provoca sensações como fraqueza, perda de sensibilidade e a impressão de estar recebendo alfinetadas no corpo. Nem sempre há dor de cabeça, mas, caso surja, pode durar entre algumas horas a dias.

Na enxaqueca retiniana há perda de visão temporária num dos olhos, com duração de um minuto a vários meses. É mais comum em mulheres e durante o período fértil. Quem sofre deste tipo de enxaqueca deve procurar de imediato um especialista, pois pode resultar complicações mais severas. Os outros sintomas são semelhantes à enxaqueca clássica.

Embora seja chamada de cefaleia em salvas, ela faz parte do grupo das enxaquecas. Seus primeiros sintomas são percebidos nos olhos. Um deles é acometido de uma dor muito forte, que pode ser percebida tanto na órbita quanto no fundo dos olhos. É possível perceber a vermelhidão e o lacrimejamento instantâneos. Enquanto as cefaleias comuns demoram mais de uma hora para atingirem o pico da dor, essa cefaleia demora menos de cinco minutos. Outros sintomas que envolvem os olhos também podem ser notados, como queda da pálpebra, congestão ocular, obstrução nasal e coriza na área comprometida. As crises da cefaleia em salva podem surgir sem aparente motivo, mas perduram durante dias.

Outra particularidade da enxaqueca é a identificação de gatilhos, circunstâncias que podem “ligar” a dor, fatores desencadeantes que dão início a uma crise. Há uma grande diversidade de eventos, pois essa é uma das doenças em que cada pessoa tem o seu ponto de sensibilidade, em que a individualidade é um fator muito importante. Nesse artigo vou citar os mais frequentes.

Em relação aos alimentos de maneira geral, há muitos equívocos. Um deles é a ideia que a enxaqueca é resultado do mau funcionamento do fígado, por causa da apresentação de sintomas como enjoo e vômito durante a crise. Mas como descrevemos no primeiro artigo, a enxaqueca é um distúrbio no cérebro e com desdobramentos em várias partes do corpo. Desta forma, os alimentos são apenas fatores desencadeantes e de cada indivíduo e por isso é tão importante a observação e constatação real. Por isso, não embarque naquela história de “um amigo falou”, “uma pessoa que conheço tem por tal coisa”, ou listas já prontas de possíveis desencadeantes de enxaqueca que se divulgam etc. Se o incômodo ocorre três em cada quatro vezes que você ingere algum alimento específico, é bem provável que esse seja um gatilho importante. E isso não quer dizer que comeu, doeu de imediato. O mal-estar se manifesta em até 48 horas depois da refeição. Não tem sentido restringir a alimentação, salvo se a pessoa reconheça a ligação existente entre a enxaqueca e determinado alimento. O importante é o que realmente acontece com você.

Os alimentos mais citados são embutidos, alguns tipos de queijos, bebidas alcoólicas (especialmente o vinho tinto), chocolate, adoçantes com aspartame, alimentos mais gordurosos, algumas frutas cítricas e alimentos que contenham o aditivo tiramina, como também o glutamato monossódico. O café e produtos com cafeína, são também frequentemente citados. É bom lembrar também que a cafeína não está presente só no café, mas no chocolate, nos refrigerantes tipo Coca-Cola e no chá preto. Admite-se que 200 mg de cafeína (o equivalente a três cafés expressos, quatro ou cinco cafezinhos ou a quatro latinhas de Coca-Cola) seja o bastante para provocar uma crise de enxaqueca, nas pessoas propensas.

Outro fator muito importante é ficar sem se alimentar ou atrasar refeições, o que gera baixo nível de açúcar no sangue. Mas o tempo necessário sem se alimentar para iniciar a crise varia de pessoa para pessoa.

Sono prolongado ou falta de sono, noites sem dormir ou pessoas que dormem superficialmente e acordam várias vezes à noite e jet lag também podem atuar como gatilhos.

Muitas pacientes costumam ter a enxaqueca no período pré-menstrual e/ou menstrual. A diminuição do nível de estrogênio provoca dilatação dos vasos sanguíneos, o que favorece as dores. É muito comum mulheres relatarem o início da sua história de enxaqueca no momento da sua primeira menstruação.

Outros pacientes relacionam o início do seu quadro doloroso ao sofrer excesso de exposição ao sol, dias muito claros e brilhantes, telas oscilantes, perfumes e outros odores fortes (como o cigarro, por exemplo, sendo um fumante passivo), estímulos sonoros e luminosos, como também períodos longos de esforço ocular e ambientes com aglomeração de pessoas e salas abafadas. Até exercícios físicos fora da rotina do indivíduo, ou muito intensos ou em condições bastante adversas, podem desencadear crises de enxaqueca.

Algumas medicações podem desencadear a crise e agravar o quadro: contraceptivos orais, descongestionantes nasais, antidepressivos do grupo dos inibidores da recaptura da serotonina (fluoxetina, sertralina etc.), reposição hormonal pós-menopausa, alguns medicamentos para dormir, inibidores da bomba de prótons (omeprazol, esomeprazol etc.).

Uso frequente de analgésicos – principalmente opioides, barbituratos – e combinações com cafeína podem agravar as crises, mesmo quando usados uma ou duas vezes por semana. Muitos pacientes ao usarem frequentemente analgésicos vão sentindo a perda da eficiência desses medicamentos e acabam desenvolvendo uma cefaleia medicamentosa e uma dependência química desses produtos.

Embora muitos indivíduos e certos pesquisadores não acreditem nos fatores emocionais como gatilhos, por sua dificuldade em se observar, é inegável a sua importância. Os distúrbios de ansiedade e os transtornos de humor como depressão, irritabilidade, mente acelerada, frustação, raiva, emoções contidas e reprimidas, e outros, têm uma ligação direta como fator desencadeador e em muitos casos são importantes na construção e na manutenção de um ciclo vicioso de dor e distúrbios emocionais.

A vida contemporânea e os vários avanços tecnológicos auxiliam em vários aspectos do cotidiano. Porém, a hiperconexão, o estresse, a rotina cada vez mais apressada, bem como pessoas muito elétricas, trabalhando muito, desenvolvendo inúmeras atividades simultaneamente, com nível alto de excitabilidade, têm de tomar cuidado, porque o estado emocional interfere como desencadear da crise. A depressão, por sua vez, também pode ser exacerbada pelo sentimento de impotência que as pessoas com enxaqueca muitas vezes vivenciam.

Momentos de tensão, de medo, de insegurança, de preocupação e de excesso de informações negativas, como se vive atualmente em parte significativa do mundo por conta da pandemia do Covid 19, têm trazido um aumento significativo das crises de enxaqueca e até de casos novos.

Devido a ser uma doença com múltiplos fatores envolvidos, tanto como fatores desencadeantes, como nas manifestações clínicas, quanto aos cuidados preventivos e os diversos tratamentos disponíveis, o autoconhecimento é o fator primordial para o sucesso do tratamento. Quanto melhor cada paciente se conhecer e permitir o médico ter ciência dessas individualidades, melhor serão as condições para se escolher o tratamento correto e ideal para a solução.

Assim, criar um diário da dor pode ajudar bastante. Sempre que você tiver uma crise de enxaqueca, anote informações importantes, como intensidade da dor (fraca, média, forte ou muito forte), localização, principais características, remédios que tomou, fase do ciclo menstrual e se consumiu algum alimento que possa ter servido de gatilho para a crise. Lembrar do estado emocional, dos relacionamentos e da vida profissional, enfim de como você está vivendo sua vida.

O objetivo da coleta dessas informações não é construir um livro negro de restrições, proibições e limitações, não é colocar o indivíduo numa bolha, afastado de todos os fatores. As informações ajudarão a entender melhor as características da sua enxaqueca e serão fundamentais para o tratamento, como veremos no próximo artigo.



Dr. Carlos Hanzani
Médico Homeopata e Psicanalista na Art Of Healing Atlanta-Clinic
www.artofhealinginc.com
Phone: (404) 355-1662

Last Updated on Monday, 17 August 2020 19:54
 

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