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Saúde | Manchas brancas nos dentes
Thursday, 20 September 2012 00:00

Pela Dra. Lea Porcaro


Um dos temas mais preocupantes para os pais e motivo constante de consulta e muitas perguntas, são as manchas nos dentes de nossas crianças. Elas podem ser de natureza diversa e nada melhor que o exame clínico da criança para determinar o tipo de mancha e tratamento adequado. Vamos fazer alguns esclarecimentos.

As manchas dos nossos dentes podem ser causadas principalmente por descalcificação, hipoplasia do esmalte e fluorose. Dependendo de seu nível de severidade, as lesões podem ser muito parecidas umas com as outras, mas as causas são diferentes.

No caso de descalcificação ela ocorre por cárie, e sua principal característica é o local que ocorre sendo normalmente lugares onde ocorre acúmulo de placa como a parte cervical (próximo à gengiva) e a interproximal (vizinho ao dente adjacente, onde passamos o fio dental). A mancha branca de cárie apresenta-se como uma opacidade localizada no esmalte, após os eventos físico-químicos ocorridos entre o esmalte e os ácidos produzidos pelas bactérias. A utilização de aparelhos removíveis ou fixos, como bandas, braquetes, fios, elásticos e outros dispositivos proporcionam o acúmulo e a formação de biofilme, aliados à maior dificuldade dos pacientes efetuarem a sua remoção.

O consumo de açúcar é considerado um dos principais fatores envolvidos no processo de cárie. Os refrigerantes e energéticos possuem alta concentração de ácido fosfórico ou ácido cítrico, além de açúcar. Portanto, não devem ser consumidos. Se forem ingeridos, que sejam através de canudos pelo menos. Os pacientes em tratamento ortodôntico devem assumir atitude e comportamento compatíveis com a situação transitória que atravessam. É importante a disciplina alimentar ou alteração de alguns itens da dieta. Após a escovação e o uso do fio dental, fazer bochechos com soluções de flúor (plax, fluordent, cepacol, oral B etc) todas as noites.

A descalcificação é subdivida em dois tipos: a mancha branca ativa e a inativa. A mancha branca ativa é de cor opaca e é rugosa; a mancha branca inativa é de cor brilhante e lisa.

Manca branca inativa

O tratamento da mancha branca ativa é a orientação à higienização bucal, dieta e fluorterapia. A mancha branca inativa é expectante, podendo ser feito uma microabrasão, retirando toda a mancha ou a melhorando, somente feita para fins estéticos.

A hipoplasia do esmalte é a formação incompleta do esmalte. A causa pode ser hereditária ou fatores ambientais como deficiência de vitamina A, C e D, sarampo, varicela, sífilis, hipocalcemia, infecção e traumatismo locais. Quando o fator é hereditário, a hipoplasia do esmalte ocorre tanto na dentição decídua (dente de leite) e na dentição permanente, quando o fator é ambiental pode ocorrer em uma das dentições. O tratamento é a remoção do esmalte afetado até encontramos o esmalte normal. O tratamento da hipoplasia depende de seu grau de severidade, nos casos mais simples podem ser feito uma microabrasão nos casos mais graves pode ser realizado: facetas (restaurações estéticas) e coroas dentais (próteses).

Fluorose

A fluorose é a alteração que ocorre devido ao excesso de ingestão de flúor, durante a formação dos dentes. Ela se manifesta principalmente pela alteração de cor do esmalte, que pode assumir uma tonalidade esbranquiçada ou exibir pequenas manchas ou linhas brancas. Nos casos mais graves, adquire uma coloração acastanhada ou marrom, podendo haver perda de estrutura dental; nesses casos, torna-se mais friável, mais fácil de desgastar fisiologicamente.

Muitos trabalhos apontam como causa da fluorose a utilização de gotas e comprimidos contendo flúor, inclusive muitos complexos vitamínicos recomendados pelos pediatras. Atualmente, a maior causa de fluorose é a ingestão de produtos fluoretados em locais onde já existe água fluoretada, sendo que o mais comum é o dentifrício fluoretado, que muitas crianças engolem durante a escovação. O enxaguatório contendo flúor também poderá contribuir, se for indicado para crianças que ainda não tenham controle adequado da deglutição.

A fluorose em dentes decíduos possui características semelhantes às da fluorose em dentes permanentes. Não é comum, pois só pode ocorrer nos dentes cuja mineralização se dá após o nascimento. A porção formada na vida intrauterina, mesmo que a gestante ingerisse ligeiro excesso, receberia proteção da placenta, que é uma barreira semipermeável que deixa passar apenas uma parte do flúor circulante.

Quando ocorre fluorose nos dentes de leite, os permanentes também serão acometidos?

Não. A fluorose não passa de uma dentição para outra, pois ela ocorre durante o período de formação ? -da dentição, e dentes de leite e permanentes se formam em épocas muito diferentes. Mesmo na dentição permanente ela pode afetar alguns dentes e não afetar outros, ou ainda afetar dentes diferentes com grau de severidade diversos. Tudo depende da época que ocorreu o excesso de ingestão e da época de formação dentária. O período de maior risco para a ocorrência de fluorose é até os 6 anos de idade, quando estão se formando as coroas dos dentes anteriores, pois se sabe que o maior problema da fluorose é quanto à estética.

Os dentes com fluorose são mais fracos?

Os dentes com fluorose são ligeiramente mais resistentes à cárie dental, mas não são imunes a ela. Portanto, se o indivíduo tiver dieta e microrganismos cariogênicos, exibindo atividade de cárie, deve receber a mesma atenção preventiva que outro paciente sem fluorose.

Se eu usar dentifrício fluoretado para escovar os dentinhos do meu filho de 2 anos, ele correrá o risco de ter fluorose?

O risco de ter fluorose ocorre se o dentifrício for usado indiscriminadamente, sem cuidado. Se o seu filho engolir muito dentifrício, ele poderá apresentar fluorose, principalmente se morar em região com água fluoretada. Isto ocorre porque nessa idade as crianças ainda não sabem controlar a deglutição e nem cuspir adequadamente e acabam ingerindo quantidade acima daquela segura para seu peso. Recomenda- -se a utilização de quantidade mínima na escova de dente (semelhante a um grão de arroz), sempre sob supervisão dos responsáveis, e alguns profissionais recomendam o uso de dentifrícios sem flúor.

Meu filho de 13 anos faz aplicação de flúor no dentista, usa pasta fluoretada e faz bochechos diariamente com solução fluoretada. Ele corre o risco de ter fluorose? Não, pois todos os seus dentes já estão com as coroas formadas nessa idade. Entretanto, nem sempre é necessário usar todos os tipos de produtos com flúor disponíveis no mercado: o dentifrício deve ser utilizado por todos os indivíduos, mas os bochechos e as aplicações tópicas profissionais devem ser utilizados levando-se em consideração a atividade de cárie de cada um.

O que fazer nos casos de fluorose?

A descoberta da fluorose não traz grandes mudanças do ponto de vista prático, a não ser nos casos em que a estética é muito prejudicada e começa a incomodar o paciente. A maioria dos casos observados atualmente são de fluorose muito leve ou leve, em que as manchas ou linhas brancas ficam disfarçadas quando o dente está úmido, não sendo necessário nenhum tratamento; se for necessário melhorar a estética, existem algumas técnicas disponíveis, que vão de um microdesgaste do esmalte até técnicas restauradoras tradicionais. Mas, do ponto de vista prático, o mais importante é prevenir.

 

Dra. Leia Porcaro, DMD
Formada em Odontologia pela Universidade de
Alfenas, MG. Especialista em Dentística Restauradora
(Cosmética) pela Universidade Federal de Alfenas.
Formada em Odontologia pela segunda vez pela Nova
Southeastern University nos Estados Unidos

Last Updated on Thursday, 27 September 2012 20:07
 

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