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Capa | ÉRICA CARRETERO: A psicóloga brasileira conta como foi sua adaptação nos EUA e a importância de poder contar com a psicologia para melhorar as nossas vidas.
Friday, 13 March 2020 00:00


Psicóloga experiente, a brasileira Érica Carretero tem se destacado em Atlanta com o seu trabalho em aconselhamento individual e em grupo, bem como no campo de recuperação da saúde mental, principalmente na comunidade latina na cidade. Seu foco tem sido em tratamentos personalizados visando a transformação pessoal através da cura energética.

Érica chegou em Atlanta em 2001. Seu então marido foi convidado para trabalhar na cidade, e assim eles, juntos com os três filhos, se mudaram para a cidade. Ela deixou para trás sua carreira em Psicologia, para se dedicar a cuidar quase sozinha dos filhos nessa nova vida, pois seu marido viajava muito. No início, Érica sentiu dificuldades na adaptação, pois não tinha noção de como era a vida de um imigrante ou de um estrangeiro nos Estados Unidos. Com um inglês ainda no básico/intermediário, ela conta que sofreu um grande choque cultural em todos os sentidos. Com isso chorava muito quase todos os dias, com saudades da família, dos amigos, das músicas e cultura brasileiras etc. Mas com tempo, ela se adaptou, voltou a estudar Psicologia e atua na área em Atlanta.

A Cia Brasil entrevistou Érica Carretero para conhecê-la mais, pessoal e profissionalmente, e falar sobre a importância de se cuidar da saúde mental.


Cia Brasil: Fale sobre sua vinda para a América. Por que decidiu vir para os Estados Unidos e escolheu Atlanta como residência?

Érica: Chegamos em Atlanta em 2001 por intermédio do trabalho do meu ex-esposo, que foi convidado para trabalhar aqui. Chegamos com três crianças pequenas: Daniel, com 8 anos na época, Beatriz com 4 anos e André com 2 anos de idade. Sofri um grande choque cultural em todos os sentidos, chorava muito quase todos os dias de saudades e pela falta de ajustamento a uma cultura diferente, apesar de já ter visitado este país algumas vezes antes.

Escolhemos Atlanta por ser uma cidade de muita diversidade. Gosto de lidar com pessoas de culturas diferentes e decidi ficar por aqui para criar meus filhos, devido às boas universidades, por ter aqui amigos para me dar suporte e para eu retomar meus estudos em Psicologia. Com o tempo, o casamento não deu certo e veio a separação e divórcio. Hoje, o ex-marido e eu ficamos amigos, refizemos nossas vidas e conseguimos criar três jovens adultos formados e bem sucedidos. Atualmente estou casada com Viegas, que atua na área de Educação e Psicologia.


Cia Brasil: Como foi e tem sido a sua vida familiar e suas experiências como mãe e profissional de saúde mental?

Érica: No início, por ser mãe de crianças pequenas e com meu inglês ainda insuficiente, tive dificuldades. Meu caçula, por exemplo, antes de entrar na escola já falava inglês e às vezes ele chorava e resmungava no idioma local, pois queria algo ou estava frustrado e eu não entendia o que ele falava, e eu pedia ajuda aos meus outros filhos para traduzir. Como tempo tudo foi se ajustando. Percebi o quão único é criar uma criança em duas culturas simultaneamente e como é importante os pais terem claro sobre como lidar com isso. Eu, por exemplo, se observasse que um dos meus filhos não estivesse bem, eu ia nas escolas e perguntava sobre como estava e o que a escola ou nós em casa poderíamos fazer para reverter a situação.

Com esses tipos de situações pessoais e outras, a saúde mental sempre foi um de meus interesses de como fazer para melhorar o dia a dia de cada um em nossa sociedade. Acredito que a conscientização de quem somos e reconhecer nossas sombras são parte do nosso crescimento individual. Enquanto criava meus filhos, sempre pesquisei e estudei técnicas integrativas energéticas que têm referências na metafísica. Considero-me uma apaixonada pelos estudos da mente e a saúde mental.


Cia Brasil: Falando em mudança e adaptação em um novo país e cultura, como um psicólogo pode ajudar famílias nessa questão?

Érica: A maior parte das famílias que se muda de país, ou até mesmo de estado aqui nos Estados Unidos, podem sofrer inicialmente de um transtorno de adaptação. A ajuda psicoterápica e demais recursos para ajudar nesse momento são passos importantes na manutenção da saúde mental de toda a família. Se seu filho está com dificuldades em fazer amigos, dificuldades na nova escola, está se isolando ou está muito agressivo, tudo isso podem ser manifestações de comportamento que podem ser indícios de que ele está pedindo socorro e precise iniciar um tratamento psicoterápico. Uma orientação aos pais, ou mesmo um atendimento familiar, pode ajudar com que a família apoie a criança a passar bem pela adaptação.


Cia Brasil: Qual a importância de cuidarmos de nossa saúde mental? Como identificar sinais de que alguém precisa de atenção e cuidados psicológicos? E qual a diferença entre psicólogo e psiquiatra?

Érica: Há que se reconhecer se adaptar e sobreviver em uma cultura diferente pode ser estressante, gerar ansiedade, desalentos, dores, ajustamentos que podem aflorar ou desencadear distúrbios de desordem mental. Às vezes, ficamos tristes, depressivos ou com raiva, o que é normal, mas quando se está perdendo o sono, apetite, frequentes rompantes de raiva, ciúmes exagerado, comportamentos violento, sem vontade de viver, é preciso olhar e cuidar para que este quadro não evolua para casos mais graves, e nesse momento é imprescindível procurar ajuda.

Sobre a diferença entre psicólogo e psiquiatra, o primeiro é o profissional de saúde mental que ajuda o cliente a desenvolver seu autoconhecimento e entender como manejar suas emoções. Geralmente, ele recolhe informações gerais da história do próprio paciente e situações atuais pelas quais ele esteja passando. A partir disto, é criado um plano de tratamento até atingir as metas estabelecidas. A relação terapêutica é um fator que contribui para a melhora do cliente, bem como as abordagens aplicadas para os tratamentos.

Já o psiquiatra tem formação médica e está apto a diagnosticar e receitar medicamentos, se necessário, para tratar distúrbios de desordem mental de acordo com os distúrbios e as necessidades dos pacientes. Normalmente, o psiquiatra não faz psicoterapia, e geralmente trabalha em parceria com o psicólogo. A medicação promove o equilíbrio químico cerebral e a psicoterapia ajuda na mudança de comportamento e estabilidade emocional a partir das mudanças dos pensamentos. Os tratamentos em conjunto funcionam muito bem. Casos mais extremos necessitam a intervenção imediata de um psiquiatra para retirar o paciente de uma crise aguda e depois e prescrito a psicoterapia.


Cia Brasil: Fale um pouco como funciona o seu trabalho e como está sendo a sua experiência em trabalhar com a comunidade brasileira na Art of Healing (AOH).

Érica: Meu foco é tratamentos personalizados visando a transformação pessoal através da cura energética, usando as seguintes técnicas: Brainspotting (ajuda na identificação, no processamento e liberação dos traumas); Psicologia transpersonal que visa não só corpo e mente, mas o espírito; Meditação com técnicas profundas de relaxamento; Terapia vibracional e cura energética; Equilíbrio dos chakras; Constelação familiar; Reiki; e PNL (Programação neurolinguística). Eu utilizo uma abordagem de aconselhamento integrativa com uma dimensão espiritual no tratamento, que é essencial no processo de cura, a fim de criar equilíbrio e bem-estar como um todo.

A terapia vibracional aborda os níveis emocionais de consciência os quais a inteligência espiritual e a cura energética têm como alvo a raiz dos problemas que impedem que um floresça e atinja todo o seu potencial. Os seres humanos são feitos de energia pura, impulsionados por seus próprios pensamentos e emoções. Sendo assim, acontecimentos traumáticos afetam o corpo, criando um fluxo de energia com mau funcionamento que prejudica a saúde física, emocional e cognitiva. Isso pode levar à depressão, ansiedade, pensamentos desadaptativos, pensamentos autodestrutivos, pensamentos de autossabotagem, medo, baixa estima e dor (emocional e física). Durante o processo de cura, cada parte da personalidade é reintegrada, permitindo que um senso de unidade na mente e no corpo crie equilíbrio emocional. E o amor é a essência que restaura o bem-estar embora espiritualmente, mentalmente, emocionalmente e fisicamente.

E estou muito feliz em trabalhar na AOH com a comunidade brasileira. Observo que dentro de nossa comunidade temos pessoas que precisam de cuidados diferenciados. Minha experiência tem sido gratificante e minhas técnicas são aplicadas de acordo com um tratamento individualizado baseados nas necessidades individuais. A AOH oferece uma equipe que integra consulta médica homeopática, acupuntura e massagem. Acredito que um tratamento integrativo sempre beneficia os nossos clientes.


Cia Brasil: Estamos passando por certo alarde sobre a epidemia do coronavírus. Você tem algum conselho, como psicóloga e do ponto de vista médico, de como a nossa comunidade brasileira pode evitar pânico dessa doença, para não agravar problemas psicológicos de pessoas que possuem um histórico de saúde mental frágil?

Érica: O momento atual no qual vivemos é conturbado, o que exige calma e sermos racionais. Nas crises, temos que intervir com a razão e a vontade de ajudar. O primeiro passo é buscar informação sobre a prevenção de como aumentar o autocuidado e aumentar a prática da higiene e evitar exposições desnecessárias. Lave as mãos, evite o contato com o seu rosto, evite lugares muito lotados, não tenha contato físico com pessoas doentes. As pessoas mais sensíveis, que podem entrar em pânico, ou as que se sentirem mais vulneráveis com os acontecimentos, devem buscar ajuda psicoterápicas ou de uma rede de suporte. Os familiares dessas pessoas precisam, nesses momentos, dar mais atenção e apoio a elas.

Os sintomas do coronavírus são febre, tosse, dificuldade de respirar. Além disto, a pessoa tem que ter estado com alguém infectado. Apresentando este quadro, chame o seu médico, ou vá a algum centro de saúde. Fique em casa se estiver muito doente, chame socorro, isole-se dos demais, use máscaras, não saia de casa, sempre cubra o rosto quando tossir, fique em cômodos separados dos demais. E mais importante: calma.


Cia Brasil: Deixe uma mensagem para a comunidade brasileira, agradecimentos a pessoas que a apoiam ou apoiaram e a ajudam ou ajudaram de alguma forma durante essa sua jornada...

Érica: Deixo meu muito obrigada aos meus filhos e marido pelas minhas realizações; à equipe da AOH - John, Janine e David - sempre dispostos a dar suporte necessário às minhas necessidades profissionais; aos meus amigos; e a vocês, da Cia Brasil Magazine, sempre levando a informação para a nossa comunidade.



Da redação

Last Updated on Friday, 13 March 2020 18:01
 
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