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Capa | March For Our Lives em Atlanta - Adolescentes protestam pela reforma na lei do controle de venda de armas nos Estados Unidos
Monday, 16 April 2018 00:00


O debate sobre do porte de armas de fogo nos Estados Unidos é um assunto antigo, que todos os anos emerge no meio político, tendo de um lado ativistas e grupos contra o porte de armas por pessoas civis, e do outro lado lobistas de grande empresas e organizações fornecedoras de armas, que pressionam o Congresso Americano a não intervir no direito concedido pela Segunda Emenda à Constituição dos Estados Unidos que protege o direito da população de manter e portar armas.

O assunto é polêmico e, para muitos de nós brasileiros, que viemos de um país onde o porte de arma de fogo, que é regulado pelo Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826/2003), é concedido a pessoas civis sob um processo rígido e minucioso de vetação, a ideia de viver em um país em que portar armas é um direito do cidadão e de fácil acesso à população é uma novidade que não sabemos se somos contra ou a favor. Nos Estados Unidos é normal encontrar armas de fogo comercializadas em lojas de pequenos outlets até grandes redes como o Walmart, que é o maior vendedor de armas do país.


O que mudou em 2018?


Dados mostram que os Estados Unidos possuem o maior índice de mortes por armas de fogo quando comparados a qualquer outro país considerado desenvolvido. Apesar de a população norte-americana representar apenas 4,4% da população mundial, o número de armas portadas por pessoas civis em todo o país já chegou a mais de 283 milhões (quase a metade das armas civis do mundo). E com tantas armas em circulação no meio da população, os índices de ocorrências de massacres ou casos de homicídio também crescem.

De acordo com o GVA (Gun Violence Archive), nos primeiros 100 dias de 2018, mais de 4.000 pessoas morreram e mais de 7.014 pessoas sofreram ferimentos causados por armas de fogo. Foram mais de 455 casos de vítimas de disparo acidental, 164 fatalidades com crianças de 0 a 11 anos baleadas, 684 adolescente de 12 a 17 anos, 565 invasões domiciliares armadas. O relato também inclui o alarmante número de massacres nos 100 primeiros dias de 2018 em 25 estados americanos que já está em 63 ocorrências de “mass shootings”, dos quais seis aconteceram em escolas e deixaram mortes e feridos.

Os dados assustadores foram apontados nos últimos dois anos com os piores homicídios em massa de que há registo nos Estados Unidos: o tiroteio em um concerto de Las Vegas; o massacre na discoteca Pulse em Orlando; o tiroteio na escola Marjory Stoneman Douglas High School, em Parkland na Flórida, no dia 14 de fevereiro deste ano; e, mais recentemente, no dia 3 de abril, na YouTube headquarters em San Bruno, Califórnia.


Um país dividido


Em um ano de eleições, em meio às batalhas políticas e tumultos no Governo Federal Americano, o assunto sobre a violência armada ganhou força após o massacre em Portland, na Flórida.

Ao contrário de outras tragédias, das quais o país fica de luto alguns dias após incidentes de mass shooting e logo retorna à normalidade dirigindo a atenção para outros assuntos, o ocorrido na Marjory Stoneman Douglas High School despertou o interesse de todo o país. Revoltados com a atual lei que regula o porte de armas nos Estados Unidos, os alunos sobreviventes do massacre imediatamente se organizaram para protestar em favor da implementação de leis mais rígidas para o porte de armas de fogo.

O protesto, que virou um “movimento da juventude americana”, atingiu todo o país, causando uma polêmica e dividindo a nação. Essa é a primeira vez que um mass shooting provoca o engajamento da população por um longo período após o ocorrido. Os dois lados da discussão permanecem energizados e fazem promessas de continuar lutando por suas respectivas convicções.


Nasce uma nova geração americana


Os Estados Unidos estão vivendo um momento único em sua história. Comparado com a luta de Martin Luther King Jr. pela igualdade social. O movimento criado pela juventude americana intitulado “No One More” contra a violência armada, marchou contra o congresso em Washington, reunindo-se em diversas ocasiões em frente à Casa Branca, exigindo a implementação de leis mais rígidas para o porte de armas de fogo e acabar com os tiroteios em massa.

A mídia americana deu voz ao movimento e os protestos ganharam a atenção da nação e também dos políticos de Washington. A Casa Branca convidou as famílias dos sobreviventes de mass shootings para discutir o assunto. No entanto, várias tentativas com mínimo sucesso foram feitas de mudanças na lei de porte de armas.

Enquanto todos desaprovam a violência e morte de pessoas inocentes, existe uma grande falta de consenso entre os legisladores, pois existe uma forte rejeição ao controle de porte de armas por parte de muitos políticos conservadores e do poderoso lobby da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês).

Mas o desapontamento não inibiu o movimento. Pelo contrário, ele cresceu e se multiplicou. Inúmeras manifestações e passeatas foram realizadas a partir desse movimento em todo o país. As marchas de protestos que acontecem todos os anos no mês de março em prol de causas sociais como a women’s march pela igualdade da mulher na sociedade foram intensificadas este ano. Energizados e prontos para uma batalha, estudantes sobreviventes do massacre em Portland lideraram a manifestação #MarchForOurLives contra a violência armada e prometem reacender pressão por uma reforma na legislação sobre o controle armamentista no país.

Atlanta realizou o MarchForOurLives no dia 24 de março, em crianças, adolescentes, jovens e adultos compareceram em massa, invadindo as duas de Atlanta em protesto.

Em ano de eleições, esses jovens prometem que irão continuar os protestos e que sua principal arma contra a falta de ação do Congresso será o seu voto. Muitos já terão 18 completos no dia 6 de novembro deste ano, quando acontecem as próximas eleições para Senado e Câmara dos Deputados.

Na Geórgia, uma das organizações envolvidas na implementação de marchas e protestos é a The Georgia Student Alliance for Social Justice, que também promoveu o MarchForOurLives Atlanta.

Para saber mais sobre eventos futuros e estar engajado nas mídias sociais visite á página no Facebook March For Our Lives - Atlanta - @MFOLgeorgia, o Instagram @mfolgeorgia e o Twitter @mfolgeorgia.



Da Redação
Fotos por Thaynara Pope
#MarchForOurLives Atlanta
Dia 24 de março de 2018

Last Updated on Monday, 16 April 2018 19:15
 
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