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Capa | Adriano Ghisi: Brasileiro realiza sonho e atua no Departamento de Polícia do Condado de Cobb
Thursday, 16 May 2019 00:00


Natural de Criciúma, Santa Catarina, Adriano C. Ghisi veio para os Estados Unidos aos 11 anos, em 1998, para acompanhar seus pais, Altair e Solange, que já estavam vivendo no estado da Geórgia. Adriano tem três irmãs, das quais uma vive ainda na América. Seu pai faleceu no ano passado, no Brasil. Sua mãe vive nos EUA até hoje.

Adriano é casado com a brasileira Vivian Ghisi, natural de Rondônia. Ele conheceu sua esposa em um congresso da igreja em Boston quando os dois ainda eram adolescentes, ele com 16 e ela com 14 anos. Vivian morava em Boston e os dois começaram um namoro à distância por quatro anos, até se casarem. O casal tem dois filhos: Isabelle de sete anos, Adriel de cinco anos, além do bebê Ethan, que está a caminho, programado para nascer em setembro deste ano. Vivian é estudante na Allied Medical College e atualmente trabalha no campo médico como embaixadora da empresa farmacêutica “Humira”. Adriano estudou Teologia no ETAD - Escola Teológica das Assembleias de Deus, em um campus da Igreja Assembleia de Deus Shalom, em Marietta.

Ao chegar aos Estados Unidos, assim como todo imigrante, Adriano encontrou algumas dificuldades para se adaptar à nova língua e cultura. Ele conta que repetiu a quinta série por causa do inglês. “Nessa época, eu estava fazendo o ESOL na escola, aprendi o Espanhol muito bem, pois era mais fácil. O Inglês realmente foi difícil. Passei um grande período tentando aprender, mas só consegui conquistar a vitória de aprender esse idioma, quando comecei a me relacionar e passar tempo com aqueles que falam inglês”, explica Adriano que aconselha quem chega à América a fazer amizades com pessoas que só conversem em inglês, pois essa prática aliada à paciência e determinação, farão com quem a pessoa aprenda mesmo o idioma local.


“Ajudo muitos imigrantes quase que diariamente, principalmente com tradução do inglês. Há muitos brasileiros e latinos recém-chegados à Geórgia, que precisam dessa ajuda ao lidarem com situações em que a polícia está presente.”


Adriano morava com sua família na área da Delk Road, em Marietta, e estudou dois anos na Brumby Elementary School e depois foi para a East Cobb Middle School. Nessa época, a família de Adriano se mudou e o distrito escolar também, e ele passou a frequentar a Smitha Middle School, que está localizada na Powder Springs Road, em Marietta. Lá fez a 7º série, e após sua graduação iniciou seus anos de High School na R. L. Osborne High School. A família de Adriano se mudou novamente, mas devido ao seu GPI ser excelente, ele decidiu ficar na mesma escola até se graduar.

Foi na Osborne High School que Adriano teve seu primeiro contato com o Departamento de Polícia, que realizava diversos programas comunitários com os alunos. “Eu tive uma excelente experiência de interação com esses policiais que frequentavam a escola. Eles nos tratavam muito bem, demonstravam interesse por nós, sem discriminação de gênero ou nacionalidade. Assim nasceu minha admiração por esse trabalho, principalmente pelo Departamento de Polícia do Condado de Cobb”. Conta.

Ao se graduar, Adriano se encontrou na mesma realidade que todos os jovens brasileiros que finalizam a High School se deparam: O que fazer? Trabalhar? Tentar fazer faculdade? “Após minha graduação, logo ingressei na força de trabalho imigrante. Fiz de tudo, fui ajudante de construção; entregador na Pacesetter Deliveries; garçom e depois gerente no Marietta Diner; gerente na Brazilian Bakery Café; trabalhei na Adonai Auto Brokers; e como Regional Manager na Velox Insurance”.

Foi nesse período que Adriano começou a considerar a possibilidade de fazer parte do Departamento de Polícia. Ele buscou informações sobre a academia da polícia, mas descobriu que somente cidadãos americanos podiam se inscrever no programa. “Eu ainda não era cidadão americano. Fiquei triste, mas nunca desisti da ideia. Lembro-me de uma reunião de funcionários na Velox, quando o diretor nos fez a pergunta: “Quando eu partir desse mundo, que legado deixarei para a sociedade? O que poderei dizer que foi a minha contribuição? Para mim, essa foi uma confirmação de Deus para o meu chamado, de fazer parte do Departamento de Polícia”.

Após alguns anos, Adriano legalizou sua situação, se tornando residente permanente e depois cidadão americano. Ao receber o encorajamento de um amigo brasileiro chamado Lucas, que é policial em outro Condado na Geórgia, ele decidiu voltar à academia e se inscrever para servir o Cobb County Police Department, em março de 2018, e dessa vez, foi aceito no programa. O treinamento na academia começou em junho, durou sete meses, e em dezembro ele estava graduado.

Adriano foi encaminhado para servir no Precinct 4, que é responsável pela área de Sandy Plains e Johnson Ferry. Sua escolha para servir nessa unidade se deu pelo grande potencial que Adriano teria para ajudar a comunidade brasileira com tradução em português e espanhol entre outras áreas para facilitar a interação da polícia com a comunidade. “Ajudo muitos imigrantes quase que diariamente, principalmente com tradução do inglês. Há muitos brasileiros e latinos recém-chegados à Geórgia, que precisam dessa ajuda ao lidarem com situações em que a polícia está presente”, comenta.

Adriano relata a situação mais comum da sua interação com brasileiros desde que ingressou no Departamento de Polícia:


“Quando, por exemplo, ocorre um acidente, ou ligação e a polícia é acionada. Independente de quem foi o culpado, vejo no rosto dos brasileiros, a dificuldade em se expressarem e explicarem o que aconteceu ao policial. Além do nervosismo, o problema da língua acaba dificultando e intimidando a interação entre os dois lados. Quando notam que falo português, o alívio deles é grande. Eles acabam descrevendo o ocorrido com muito mais detalhes, o que facilita para o Departamento de Polícia, e ajuda também esse brasileiro que foi ouvido teve o seu lado explicado em português.”


As investigações do Cobb County Police Department, principalmente as do Precinct 4, onde está concentrada uma grande parte da população brasileira, tem sido muito mais rápidas, eficientes e em favor da comunidade, desde que Adriano começou a trabalhar, uma vez que não há barreiras de comunicação e brasileiros podem se expressar melhor em português. Adriano relata que o Departamento de Polícia elogia os brasileiros, pois sempre que são abordados têm um grande respeito pela figura do policial, se dirigindo a eles com educação e colaboração. “Essa atitude de respeito pela autoridade do policial é de grande valor para o Departamento. Confrontos e argumentos devem ser guardados para disputas em corte, não no momento do acontecimento. A polícia é treinada para ser cordial e servir à população, mas também é considerada autoridade para proteger e fazer cumprir a lei local e deve ser tratada como tal. Quando essa interação é passiva e respeitosa, todos se beneficiam”, destaca Adriano.

O brasileiro lembra que a história de vida na América dele não foi muito diferente da maioria dos imigrantes. Ele também passou por períodos difíceis, de adaptação e de problemas com seu status legal. Ele afirma que devemos sempre estar abertos para aprender com esse país, e acima de tudo nunca desistir dos objetivos e procurar viver uma vida correta e confiar em Deus.

Adriano enfatiza a importância da população imigrante entender qual é o papel da polícia no estado da Geórgia.


“Nós, policiais do Departamento de Polícia, não fazemos parte do Departamento de Imigração. Checar o status imigratório das pessoas não faz parte do nosso trabalho. Não temos treinamento em lei ou procedimentos imigratórios. Os Departamentos de Polícia, o Cherif’s Office, o Departamento de Bombeiros e o ICE são entidades completamente distintas, com funções e cargos diferentes e uma não realiza o trabalho da outra.”


A função do Departamento de Polícia é de policiar e proteger a comunidade com relação à infrações nas leis do Estado, por exemplo: dirigir com habilitação vencida, dirigir embriagado, brigas, roubos e crimes em geral, que não incluem o departamento de imigração. “Se uma pessoa for flagrada dirigindo embriagada, que é uma infração da lei, ela será detida. O trabalho do policial é de agir de acordo com a infração. Uma vez detida, essa pessoa poderá ser encaminhada para o Cherif’s Office, que é o Departamento de Correção (prisão), completamente diferente do Departamento de Polícia. Somente depois de ser transferido para uma prisão, é que um indivíduo corre o risco de ter o seu status imigratório checado pelo Departamento de Imigração”, explica Adriano.

O policial brasileiro aconselha todos a evitarem situações e infrações na lei da Geórgia que possam resultar em apreensão por parte da polícia.


“Ande sempre com um documento válido com foto, que identifique quem você é. Obedeça as leis do estado, seja correto e trabalhe honestamente.

Afaste-se de pessoas que podem te prejudicar perante à lei, e tenha mais união e compaixão com o seu próximo. Sempre respeite a autoridade da polícia.”


Adriano também fala de sua fé e como o seu curso de Teologia tem ajudado o seu trabalho como policial. Atualmente, ele também exerce a função de Pastor Ministerial em uma igreja evangélica australiana na qual frequenta com sua família. “Eu dou glória a Deus por ter a oportunidade de realizar o meu sonho de servir como policial e também como pastor”.


Unidade de Assuntos Comunitários


Desde a inauguração da Unidade de Assuntos Comunitários (Community Affairs Unit) do Departamento de Polícia do Condado de Cobb no ano passado, muitos projetos têm sido oferecidos às comunidades de imigrantes. Essa unidade é supervisionada pelo sargento Jeff, e ela oferece muitos programas que ajudam a construir uma ponte que permite uma melhor comunicação entre os moradores do Condado de Cobb e as autoridades policiais para colaborarem e trabalharem juntas visando construir comunidades mais cuidadas e seguras. A nova unidade está envolvida com escolas, igrejas, vizinhanças, empresas locais, associações de moradores etc. Os oficiais estão disponíveis para participarem de reuniões e eventos comunitários que promovam parcerias e relações de trabalho entre a comunidade e o departamento de polícia.

Nos últimos dez meses, o oficial Raymond N. Granel, que faz parte da Unidade de Assuntos Comunitários, especialmente junto à comunidade latina tem trabalhado diretamente com a comunidade brasileira, oferecendo apoio e treinamento para várias igrejas sobre proteção contra intrusos armados dentro do templo e como agir em uma situação de “Mass Shooting”. O oficial Granell também ajudou algumas organizações non-profit brasileiras com treinamento para pais e jovens sobre dependência química: como lidar com esses adolescentes, e introduziram projetos do Departamento de Polícia do Condado de Cobb especialmente para reabilitação, além de apoiar um grupo local de ciclistas brasileiros que pedalaram de Atlanta a Washington DC para divulgarem sua campanha “América sem drogas”.

A Community Affairs Unit também ofereceu seminários e palestras para os donos de business brasileiros sobre segurança, onde foram abordados os temas de porte legal de armas de fogo (concealed and exposed), animais de serviço dentro de restaurantes e outras áreas de business, avisos de invasão de criminosos, o que fazer sobre comentários degradantes por clientes para seus funcionários, câmeras de segurança e registro de alarme. No segundo seminário realizado no Precinct 4, a Criminal Investigations Unit teve participação especial com a presença do investigador Pedro Muñoz da Field Operation Division para fazer um treinamento com os empresários brasileiros locais sobre como identificar e prevenir fraudes em seus business.

Apesar do Officer Adriano realizar seu trabalho na rua, ele se dispôs a ajudar o Community Affairs Unit em projetos de ajuda à comunidade brasileira no Condado de Cobb, fazendo traduções e facilitando essa interação entre o Departamento de Polícia e a comunidade com a intenção de estabelecer um melhor relacionamento e consequentemente poder servir melhor a nossa comunidade.



Da redação



Agradecimentos especiais a todos aqueles que colaboraram para esta matéria.


Officer Raymond Granell – Community Affairs Unit/Hispanic Liaison

Officer Adriano Ghisi – Precinct 4]

Sgt. Delk - Headquater

Officer Aniello Penirelli – Headquater

Major Brian Batterton - Precinct 4 Commander

Capt. Everett Cebula - Interim, assistant commander Precinct 4 e toda a sua equipe

Inv. Pedro Muñoz - Criminal Investigations Unit

Sgt. J.J. Stymus - Criminal Investigations Unit 4

J.L. Rainwater

Officer Pharr - Community Affairs Unit

Thaynara Pope - Fotografia

Last Updated on Thursday, 16 May 2019 14:37
 
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