Home Capa
Capa | Crise imigratória
Monday, 16 July 2018 00:00


Vários protestos massivos da população para a reunificação das famílias separadas nas fronteiras dos Estados Unidos se espalharam pelo país


O tema imigratório tem sido um dos assuntos mais debatidos nos Estados Unidos desde a posse do atual presidente Donald Trump. As crises econômicas e políticas na Venezuela e a violência em outros países da América Central e América do Sul têm gerado um aumento considerável de pessoas cruzando as fronteiras americanas em busca de asilo.

Dados divulgados em 2017 pelo Departamento de Segurança Interna estimam que havia 12,1 milhões de imigrantes não autorizados vivendo nos Estados Unidos em 2014, acima dos 11,6 milhões em 2010. Os principais países de origem são: México = 6,6 milhões; El Salvador = 700 mil; Guatemala = 640 mil; Índia = 430 mil; Honduras = 400 mil; Filipinas = 360 mil. Os últimos dados contabilizados pelo Migration Policy Institute (MPI) são de 2014 e mostram que 336 mil imigrantes brasileiros viviam nos Estados Unidos, representando 1% dos 42,4 milhões de imigrantes no país. A maioria dos imigrantes do Brasil estava concentrada na Flórida (20%), Massachusetts (18%), Califórnia (10%) e Nova Jersey (9%), de acordo com dados da ACS de 2010-14. Os quatro principais condados com imigrantes brasileiros eram: Middlesex County, em Massachusetts; Broward County e Miami-Dade County, na Flórida; e Fairfield County, em Connecticut. Juntos, esses condados hospedam cerca de 22% da população imigrante brasileira nos Estados Unidos.

Em 2018, o governo do atual presidente estabeleceu uma política de “tolerância Zero” nas fronteiras do país, onde agentes de fronteira recomendavam denúncia contra estrangeiros que entravam acompanhados de menores, detendo pais e filhos separadamente.

A prática causou fortes críticas em relação a essa separação de pais e filhos imigrantes que buscam asilo, ou que entraram irregularmente nos Estados Unidos, e a administração de Donald Trump voltou atrás e assinou um decreto que prometeu colocar fim à prática. Mas o decreto pouco ajudou a situação das famílias separadas desde o final do ano passado. Imagens de crianças pedindo ajuda e chamando pelos pais correram o mundo e causaram mais protestos por todo o país, mas a situação segue sem uma solução definitiva.

As crianças menores foram levadas para abrigos, depois que os pais foram presos ao entrar ilegalmente no país pela fronteira com o México. Entre maio e junho deste ano, mais de 2.300 crianças foram encaminhadas para esses centros. Entre elas, estão pelo menos 49 brasileiros, de acordo com o Consulado do Brasil em Houston.

Os protestos que se espalharam por todo o país tomam contra a política imigratória de “Tolerância Zero” de Trump. Argumenta a atual lei que diz que todas as pessoas têm certos direitos com relação a serem ouvidas por um juiz de imigração. Entre esses direitos:

  • Permite que os migrantes requeiram um pedido de asilo em qualquer porto de entrada legal para os Estados Unidos, bem como entre portos de entrada válidos onde a travessia para o país é ilegal.
  • A Lei de Imigração e Nacionalidade determina que qualquer pessoa que chegue aos Estados Unidos, “seja ou não em um porto de chegada designado”, pode solicitar asilo se tiver um “receio válido fundado de perseguição por motivo de raça, religião, nacionalidade, filiação em um determinado grupo social ou opinião política”.

Nos dias 29 e 30 de junho foram realizadas mais de 130 marchas em 48 estados, incluindo uma manifestação na Praça Lafayette, em Washington, do outro lado da rua da Casa Branca, onde compareceram mais de 13 mil pessoas conectadas através do Facebook em Washington, para protestar contra a política de imigração de Trump e detenção e separação de famílias de imigrantes nas fronteiras dos Estados Unidos. O movimento “Families Belong Together” rapidamente ganhou força e se espalhou pelo país.

O movimento foi patrocinado e organizado nacionalmente como um dia nacional de ação para protestar contra as estritas políticas de imigração da administração Trump e pedir a reunificação de famílias separadas e detidas como resultado da implementação dessas políticas e recebeu recorde de protestantes.

Já foram programadas centenas de outras marchas para continuarem pressionando o atual governo a reunir as mais 2.500 crianças imigrantes separadas de seus pais nas últimas semanas desde que o governo federal começou a processar qualquer um que cruzasse a fronteira.

De acordo com um documento delineando a estratégia da mensagem do movimento “Families Belong Together”, os manifestantes têm três demandas principais: 1)Eles querem que famílias migrantes separadas sejam reunidas imediatamente; 2) Eles querem que o governo acabe com as detenções familiares; e 3) E eles querem que a administração Trump acabe com sua política de imigração “tolerância zero”.

As organizadoras líderes e principais sponsors deste movimento são: MoveOn, The American Civil Liberties Union, The Leadership Conference on Civil Rights e The National Domestic Workers Alliance. Eles se juntaram a dezenas de outras organizações que também contribuíram para o site do “Families Belong Together”. A Amnesty International USA, a Anti-Defamation League, o Southern Poverty Law Center e a The Women’s March estão entre elas.

Em Atlanta, a Georgia Alliance for Social Justice é o sponsor do evento ‎Families Belong Together Rally: Atlanta. Os protestos do dia 29 de junho foram realizados em frente ao Atlanta City Detention Center e os protestantes marcharam até o The Richard Russell Federal Building, onde aconteceu a maior parte dos comícios. Foram realizados também campanhas para registrar eleitores para votarem nas próximas eleições de novembro deste ano.

A atual prefeita de Atlanta, Keisha Lance Bottoms, assinou um decreto proibindo o Centro de Detenção da Cidade de Atlanta de aceitar qualquer novo detento do ICE. Em pronunciamento, a prefeita disse estar “observando o impacto da política de imigração de tolerância zero do presidente Trump sobre as crianças e famílias”. “Enquanto trabalhamos como nação para essa política de imigração desprezível, a cidade de Atlanta não correrá o risco de ser cúmplice na separação das famílias na fronteira”, disse a prefeita. “Por esse motivo, eu assinei um decreto que proíbe a prisão da cidade de aceitar qualquer novo detento do ICE.”, continuou.

A prefeita ainda pediu à administração de Trump e ao Congresso que “promulguem medidas humanitárias e abrangentes que abordem nosso sistema de imigração”. Pouco depois de seu pronunciamento, Trump assinou a ordem executiva que encerraria o processo de separar as crianças das famílias após serem detidas tentando atravessar as fronteira dos Estados Unidos ilegalmente. Além dessa ordem executiva, um juiz federal na Califórnia ordenou que cessasse nacionalmente a maioria das separações familiares na fronteira dos Estados Unidos e a reunificação de todas as famílias que foram separadas durante as apreensões da “Tolerância Zero” nas fronteiras.



Da Redação

Last Updated on Monday, 16 July 2018 13:57
 
« StartPrev12345678910NextEnd »

Page 4 of 19

Translate

Portuguese English Spanish