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Capa | A VERDADEIRA PÁSCOA | Ele está entre os mortos, ele não ressuscitou! LC 24.6
Tuesday, 14 April 2020 00:00


Coelhos, ovos de chocolate branco e ao leite, grandes e pequenos, cada um mais gostoso que o outro, sejam eles de produção em larga escala ou aqueles que consumimos de forma artesanal dos nossos amigos que também os fazem. As nossas comidas, nesta época do ano, se tornam a base de peixe, destacando o bacalhau como alimentação preferida desta data. Grandes reuniões familiares, onde cada membro, quer seja católico, evangélico ou judeu, se reúnem em torno de algo histórico. As igrejas, ah! As igrejas dedicam a maior parte de seu tempo a uma liturgia quase que cinematográfica para reproduzir em peças teatrais a morte e ressurreição de Jesus.

Só que não, para aqueles que acreditam que Páscoa são ovos decorados e comida a base de peixe, para aqueles que acham que celebrações pascoais são os eventos que conseguimos reproduzir em nossas igrejas, para esses, Jesus não vai ressuscitar este ano. Todo o histórico momento do calvário se limitará a uma sexta de morte e a um sábado de espera, sem um domingo de ressurreição. Somos parte de uma cultura, seja ela secular ou religiosa, de cunho apelativo que foram introduzidos em nosso meio e adulteraram o projeto inicial.

Para os judeus não haverá o Sêder, jantar pascoal com toda a grande família reunida, pois os mais idosos não poderão participar. Para nós, os cristãos, católicos e evangélicos, não haverá domingo de ramos, nem cerimônia do lava-pés, nem a celebração da Santa Ceia, símbolo máximo da nossa comunhão com Deus e com nossos irmãos. Já não é mais quaresma, é quarentena. Enfim, Jesus não sairá do túmulo este ano.

Mas o certo é que este momento vivido por nossa geração é de uma reflexão enorme, pois vamos voltar ao verdadeiro sentido da Páscoa. Os judeus o comemoram como atos de libertação de Deus para com Israel, onde há 1.230 anos antes de Cristo, Ele promoveu a libertação da nação depois de 430 anos no cativeiro Egípcio. O povo escolhido havia recebido uma ordem de Deus para que numa determinada noite, ficasse em casa e cumprisse um determinado ritual, porque naquela noite, o anjo da morte passaria e aniquilaria os primogênitos do Egito. Cada família deveria ter um cordeiro sacrificado e o sangue passado nos umbrais das portas a fim de proteger-se da aniquilação. Daí o termo Páscoa, do hebraico Pesah, que significa, passar por cima ou passar sobre a marca. Contextualizando para os dias hoje, a celebração da verdadeira Páscoa deste ano vai se dar com famílias, não com grandes multidões. O número durante a celebração será reduzido, mas representará o verdadeiro sentido. Não sabemos se vai ser Kosher ou não, mas enquanto o anjo da morte caminhar lá fora é melhor estar em família.

Para nós, os cristãos, católicos e evangélicos, reflete a história que ocorreu há quase dois mil anos. Um homem veio ao mundo disposto a ser o maior exemplo de amor e verdade que a humanidade conheceria. Sua proposta não foi entendida por muitos, inclusive os religiosos de então; condenaram este homem, o crucificaram, ignorando todos os seus propósitos para um mundo melhor, para um verdadeiro entendimento entre as pessoas através do amor. Houve dor, houve angústia, houve escuridão.

A sexta-feira de morte está acontecendo, estamos no meio. Nesta sexta-feira, depois de passar a noite em oração, suando até mesmo gotas de sangue, Ele é preso e torturado. Julgado pelos sacerdotes, por Herodes e Pilatos, é condenado e sobre a sua cabeça é colocado uma coroa de espinho. Forçado a carregar a sua própria cruz é crucificado e morto no meio de dois ladrões no Monte Caveira. Tendo o seu corpo reivindicado por José de Arimateia, tem a sua sepultura com os ricos.

O que o panorama desta sexta-feira nos revela? A desgraça parece que venceu, os mistérios da morte são celebrados. O fim de tudo realmente existe. Maria, mãe do mestre, junto com João, o discípulo amado vai para sua casa; os discípulos, de uma forma geral, querem voltar as suas atividades normais, mas o medo, os fazem ficar em casa também. Alguns outros são encontrados no caminho de Emaús, também, voltando para casa. Hoje, estamos vivendo esta sexta de morte, muitos pelo mundo são enterrados sem a possibilidade de seus corpos serem reclamados pelos entes queridos, a fotografia revelada é de desilusão, não existe cura, mas sim, uma única recomendação, a morte é real, fiquem em casa.

A sexta-feira de morte termina e se inicia um sábado de espera, um sábado onde a nossa paciência é testada. Talvez um dos momentos mais difíceis na nossa vida, esperar. Afinal Jesus está no túmulo. Você já voltou de um velório de uma pessoa querida? Aquela sensação de vazio, de desesperança, nos falta reação. Este lapso temporal entre a morte e a ressurreição é um dos piores momentos porque as incertezas pairam sobre nossas vidas. Uma profunda reflexão é cabível aqui: morto eu sei que Ele está, mas vai ressuscitar? Toda promessa de Deus passa pelo crivo do tempo e este momento não é diferente. Este sábado é de silêncio, as palavras se calam, existe uma promessa: vai passar, mas a inconstância da nossa fé nos leva ao medo e o medo à desesperança. Este sábado é de aceitação, e não de questionamento. Não dá para ficar o tempo todo perguntado a Deus o porquê; por que o Senhor que é todo poderoso não intervém nesta história e muda a situação? Este hiato existente entre a sexta da morte e o domingo da ressurreição é onde somos moldados, onde somos levados a crer e a esperar. Deus está no controle e é hora de renovarmos a nossa esperança porque amanhã será domingo, amanhã é Páscoa. As tristezas de hoje não podem cancelar as alegrias que estão por vir. São as noites mais escuras, de grandes tempestades que desembocam numa alvorada de vitória e alegria. Amanhã será domingo.

Por três dias, o sol se recusou a brilhar e a lua se recusou a iluminar a terra, até que no terceiro dia algo aconteceu. A morte não pode segurar o doador da vida. Um grito ecoa pela humanidade desde então, e o que torna este grito diferente é que muitos morreram por alguém, mas somente Jesus ressuscitou, muitos tentaram, mas somente Ele voltou de entre os mortos e quando o fez, trouxe consigo as chaves da morte e do inferno. Por isto há esperança.

Por causa da dor de uma sexta-feira de morte e de um sábado de espera, existe um domingo de vitória, cujo brado ecoa por dois milênios sobre a Terra: “Onde está o morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória”. I CO 15.55. A ressurreição de Cristo produz em nós um sentimento de alegria, porque o nosso maior inimigo está vencido. A ressurreição de Jesus é a garantia de vivermos uma vida abundante.

Por isso não existe uma preocupação com a igreja vazia durante a Páscoa, uma vez que o próprio túmulo está vazio, o que não pode estar vazio são os nossos corações, os nossos sentimentos em relação ao próximo; o que não pode estar vazio são os nossos desejos de compartilhar nestes tempos de crise.

A proposta deste Jesus que revolucionou o sistema de seu tempo é para nós entendermos que existe um processo de salvação de escopo universal que vai além das necessidades de nossos próprios umbigos. Hoje a preocupação não pode residir no cumprimento de uma liturgia ou manutenção de um sistema religioso de ajuntamento ou de acumulação, mas sim, de compartilhamento daquilo que temos. Em tempos de pandemia, a reflexão para esta Páscoa é de sermos igreja e não termos uma igreja.

Para aqueles que precisam de liturgias e até mesmo do comércio de ovos, o domingo de ressurreição não virá. Mas a verdadeira Páscoa já está acontecendo, com aqueles que entenderam que como Jesus entregou a sua vida por mim e por você, estão neste momento entregando as suas vidas, em jornadas de trabalho exaustivas para salvar o máximo de vidas. É Páscoa, porque muitos estão assumindo a responsabilidade, por amor de ajudar uns aos outros. Permita Jesus ressuscitar neste domingo de Páscoa. “Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive?” LC 24:5.

Confie em Deus, obedeça às autoridades, faça o bem ao próximo e logo cantaremos uma canção de vitória.



Pastor Marcos Muniz
Igreja Assembléia de Deus
Restaurando Vidas

Last Updated on Tuesday, 14 April 2020 15:33
 
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