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Capa | Uma pequena grande campeã
Tuesday, 15 August 2017 00:00


Aos 9 anos de idade, Lylah Lindsen Nodari é um destaque na modalidade de ginástica olímpica. É filha de brasileiros (a mãe Keila, natural de Brazabrantes, uma cidade do interior do estado de Goiás; e o pai Chico, natural do interior de Santa Catarina), que chegaram aos Estados Unidos em 2000, mais exatamente em Marietta, na Geórgia, deixando para trás a filha Lídia, na época com 3 anos de idade. “Assim como muitos viemos em busca de uma vida melhor, com oportunidades, segurança e melhor educação para os filhos”, ressalta Keila.

Em outubro de 2001 nasceu a segunda filha: Lauren; e em abril de 2008 nasceu Lylah, que hoje estuda na quarta série da escola MACC (Marietta Center os Advanced Academics), a qual é também uma academia para crianças que possuem aprendizado avançado e que praticam algum tipo de esporte.

No caso de Lylah, o seu esporte é a Ginástica Olímpica, interesse que nasceu há alguns anos. A pequena começou a assistir vídeos no YouTube todos os dias depois de suas aulas na escola, e ficava tentando imitar os movimentos, e assim começou a praticar em casa.


LYLAH COM AS IRMÃES LÍDIA E LAUREN.



Lylah sempre pedia aos pais para que eles procurassem um local para que ela pudesse praticar e aprender mais, como uma academia ou escola de ginástica. Inicialmente, os seus pais não deram muita importância ao interesse da filha, pensando ser algo passageiro. Depois de muita insistência da menina, e ao observar que ela fazia os movimentos iguais aos vídeos da internet, eles procuraram a escola Chattooga Gymnastics em outubro de 2015 para matricular a pequena Lylah nas aulas de ginástica.

Logo no início das aulas na Academia, na segunda aula a professora conversou com os pais de Lylah, perguntando se ela já havia participado de outras academias, pois seus conhecimentos de ginástica eram ótimos. Isso a deixou em uma turma bem avançada, porque tudo que a professora tentava ensinar, Lylah já sabia. Além disso, a professora salientou que a menina tem o que os ginastas e profissionais da área chamam de “juntas duplas”, o que facilita ainda mais os movimentos e a flexibilidade como atleta.

Nos meses de março, abril e maio deste ano, Lylah participou das competições nas cidades de Roswell, Woodstock, Marietta e outras aos arredores que a classificaram para uma competição estadual em Cincinnati, Ohio. Participou também, em julho do ano passado, do estadual em Pigeon Forge, Tennessee, competição na qual foi classificada, junto com a Academia, para ir à Noruega, no evento Gym for Life 2017, que ocorre de quatro em quatro anos. “Ficamos muito felizes! A Lylah fez parte da única academia que representou os Estados Unidos na Noruega”, relembra a mãe.

Além das competições individuais, a pequena atleta foi selecionada pela Academia para fazer parte de um grupo de ginástica rítmica composta por meninas com síndrome de down e outras meninas que se destacam na própria Academia. O grupo e também formado pelos pais das crianças com síndrome de down.

No Chattoga Gymnastics, Lylah tem uma rotina agitada. Ela treina às quartas e quintas-feiras, todas as semanas. Ela chega da escola as 4:45pm e não dá tempo nem para comer; tem que pegar alguma coisa para comer no carro e sair correndo para o treino que começa as 5:30pm e vai até às 8:30pm. E nestas últimas férias de escola, treinou de terça a domingo todos os dias para a competição na Noruega.


A viagem para a Noruega


Lylah viajou para a Noruega no último dia 24 de julho, junto com a delegação de ginástica dos Estados Unidos (um grupo de 35 pessoas), para o Gyn for Life, que ocorreu de 26 a 30 de julho. O evento foi no Centro de Convenções de Oslofjord, em Vestfold.

A delegação dos Estados Unidos foi o segundo grupo a se apresentar no primeiro dia de competição, com a presença do Rei da Noruega, Harald V. Na competição que contou com 27 países, 88 grupos e aproximadamente 2100 atletas, Lylah conquistou a medalha de prata. A mãe Keila relata que foi “uma experiência única, vai ser algo que ela vai lembrar para a vida toda.”

Ao voltar para Atlanta, Lylah já começou a preparação para o Gymnaestrada 2019, que será na Áustria, com aproximadamente 20.000 atletas do mundo inteiro. A academia pela qual ela compete está classificada para apresentação em grupo e Lylah está no meio. “Ela está muito mais empolgada e focada depois da viagem à Noruega. Quer ser profissional”, ressalta Keila.


O futuro


Para um atleta da ginástica, o processo de seleção basicamente acontece naturalmente: quanto melhor a criança for mais oportunidades de avançar e participar de competições ela tem, no caso da Lylah ela consegue fazer todos os movimentos, exibições e coreografias.

“Sempre incentivamos nossas filhas a passar menos tempo usando o computador, iPads e celular, e fazerem ou aprenderem algo que seja bom para a vida toda”, ressalta a mãe de Lylah, que acrescenta: “Lylah nasceu prematura e com sopro no coração. Mesmo com esses problemas, nada a impossibilita de fazer o que faz. Ela é uma criança alegre, carinhosa e amigável. Ela tem facilidade de trabalhar em grupo, faz amizades facilmente, é comunicativa e gosta de ajudar a todos. Às vezes ela se machuca nos treinos e a gente sofre por ela ser tão pequena, mas ela tem uma força de vontade incrível. Sonha em ser grande e participar de Olimpíadas... Quem sabe.”

Lylah tem o apoio dos tios, primos e o padrinho dela que moram aqui nos Estados Unidos. Os avós no Brasil e as duas irmãs torcem pelo sucesso e vitórias quando ela está competindo.

Com essa nova medalha que conquistou na Noruega, somam-se 36 já conquistadas por Lylah, junto com vários troféus que ficam na academia. “Quando começamos a participar com ela, nós sentíamos um pouco incomodados pelo fato de falar o inglês com sotaque, mas descobrimos que quanto mais nos inserimos na cultura americana, mais a gente aprende. Vestimos a camisa, usamos o uniforme e nos sentimos honrados em, depois de 17 anos vivendo nos Estados Unidos, poder, junto com nossa filha, representar este país em um evento internacional”, fala Keila, que finaliza: “Encontramos aqui o que viemos buscar. Costumamos dizer que aqui não tem somente portas abertas, são portas escancaradas de oportunidades com as quais todos os brasileiros podem se beneficiar.”

Para finalizar, a pequena Lylah deixa algumas palavras: “Não tem nada que você queira que não se pode fazer. Seja qual for seu esporte preferido, com muita dedicação e esforço tudo se consegue. A ginástica é minha vida. Agradeço meu papai e minha mamãe por acreditar em mim e me apoiar sempre.”



Da Redação

Last Updated on Tuesday, 15 August 2017 18:03
 
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