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Espaço Vip | Uma história fantástica! Brasileiro planeja ir ao Brasil assistir às Olimpíadas pedalando
Friday, 18 September 2015 00:00


Talvez uma viagem mude a sua vida. Quando nós saímos da nossa zona de conforto e nos aventuramos em conhecer novos povos e culturas, mesmo que não queiramos, há um choque que pode mudar nosso modo de ver a vida. Foi isso que aconteceu com o catarinense Adilson Maria em 1996, ano em que foram realizados os jogos olímpicos de Atlanta.

Tudo começou quando seu tio, que era acostumado a fazer longas viagens de bicicleta, teve uma ideia bastante maluca: pedalar até os Estados Unidos para assistir as olimpíadas em 1996. Ninguém achava que isso seria possível, mas ele insistia.

Na época, Adilson era professor de tênis e decidiu, então, viajar 120 km de distância, de Itajaí a Florianópolis, de bicicleta, com o apoio do prefeito da cidade. Foi sem dinheiro para ver um amistoso do Brasil e lá foi entrevistado. Um torcedor pagou seu ingresso. “Se eu viajei 120 km e deu certo, acho que ir para os Estados Unidos pode dar muito certo também”, pensou Adilson.

A ideia amadureceu de vez e, um ano depois, ele decidiu partir para uma aventura fantástica, apesar do tio já ter mudado de ideia e não ir junto. Foi a São Paulo, onde uma Escola de Inglês deu-lhe R$1.000,00 e uma bicicleta Caloi. E ele ia ganhando mais R$100,00 em cada escola do grupo nas capitais em que ele conseguia chegar. Foram 15.320 km percorridos, 600 litros de água consumidos, 30 noites dormidas na estrada, acampando em sua barraca e outras em quartéis. Seu pai era militar e conseguiu apoio dos colegas de outros países. Foram gastos US$ 2,500 e ele só poderia gastar 10 dolares por dia. Talvez fosse mais caro que uma viagem de avião com todo o conforto da época; mas que graça teria? Foram 15.320 km de bicicleta, com uma média de 100 km por dia. Nos primeiros dias, ele achou que não conseguiria, mas acertou o ritmo. No entanto, houve trechos de avião e ônibus. Ele saiu no dia 9 de dezembro de 1995 e chegou em Atlanta em 15 de julho de 1996. Morou em Dunwoody, em Roswell e em Marietta. Viveu aqui em Atlanta por 12 anos. Hoje, com 42 anos, mora na Florida há oito.

Sobre o desafio, ele diz que valeu a pena, apesar de não poder ir ao velório da sua mãe, que falecera enquanto ele estava em viagem. Ele ficou bastante triste, mas conseguiu superar a dor enfrentando o desconhecido. Tinha medo de passar por El Salvador, que vivia um momento bastante tenso na época, mas foi o país que teve mais facilidade para atravessar.

Ele teve recepção de celebridade na Barra do Sahy, no Espírito Santo, com direito a estouro de fogos e faixas de incentivo, depois de dar uma entrevista a um programa de esporte. Teve seu walkman roubado em São Paulo. Perdeu-se em Salvador, na Bahia, e passou por rigorosa entrevista na fronteira americana, com total desconhecimento da língua Inglesa.

Enfrentou situações inusitadas nas estradas americanas, em trechos onde o tráfego de bicicleta não é permitido. Hoje acha engraçado lembrar que nessa ocasião o policial gritou “get off, get off”, mas ele não entendia nada. Depois de ter que mostrar o significado disso no dicionário, o oficial mostrou um caminho alternativo e ele conseguiu vencer mais um dia.

Chegando aqui, viu partidas de basquete e de tênis. Conheceu o Pelé, então Ministro dos Esportes. Um mundo novo descortinava-se e ele começava a gostar. A escola de inglês ofereceu-lhe uma passagem de volta, mas ele decidiu ficar. Teve apoio de conterrâneos, entregou pizza e trabalhou na construção. Casou-se duas vezes com brasileiras, mas hoje está só, querendo se casar pela terceira vez. Como se vê, desafio e persistência são com esse catarinense.

Agora ele quer repetir a façanha e assistir no Rio de Janeiro as olimpíadas com a mesma bicicleta que o trouxe até aqui. “Quero levar essa bicicleta a Itajaí e colocá-la em exposição no Museu da Cidade”, diz, cheio de coragem e orgulho.

Mas dessa vez ele quer levar um cearense de 22 anos com ele, e quem sabe algum outro sonhador, que queira passar o que ele passou e que não se arrepende. Pretende fazer um site, quer registrar tudo, fazer boletins de cada lugar, buscar patrocínio e superar a resistência física de um homem com mais de 40 anos com o mesmo entusiasmo que o trouxe. Adilson já se prepara fisicamente e já se diz pronto. Será que mais alguém aceita o desafio e se junta à dupla? Seria interessante um comboio com toda a orientação de quem conhece o caminho das pedras.

E ele deixa sua mensagem: “Tive um grande prazer de fazer o que fiz. Hoje dou muito valor à minha vida e aprendi a viver intensamente cada instante presenteado por Deus.”

Nós, da Cia Brasil, estamos torcendo por Adilson e vamos acompanhá-lo, pedalada por pedalada nessa viagem.

É uma história de vida fantástica, não é mesmo?

E você, como chegou aqui? Qual é a sua história? Você conhece uma história interessante como essa que acabamos de contar? Entre em contato conosco e nós vamos ter muito prazer em registrá-la.









Por Wilson Versolato
Jornalista

Last Updated on Friday, 18 September 2015 14:46
 


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