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O bailarino brasileiro que trilhou o seu caminho até o Washington Ballet
Por Nathalie Connolly
Nayon Rangel Iovino é a pura definição de talento. O bailarino começou sua carreira com apenas 10 anos de idade, e desde então ele nunca parou de dançar. Vindo de Goiânia, Nayon participou por três anos consecutivos de uma das competições de balé mais importantes do mundo: o Youth America Grand Prix (YAGP), em Nova York. E em cada ano, um feito: em 2007 ele recebeu bolsas de estudo para três renomadas escolas de balé, em 2008, ele foi classificado no Top 12, e em 2009, Nayon ficou entre os três melhores bailarinos do mundo. Além de competir em NY, ele também dançou em várias partes do Brasil, Estados Unidos, Alemanha, França, Cuba e Turquia. Em junho deste ano, Nayon foi eleito o melhor bailarino de 2011 pela World Ballet Competion, em Orlando. Aos 21 anos, ele é atualmente um dos principais bailarinos da primeira companhia do Washington Ballet, e segundo ele, está no ponto mais alto de sua carreira.
Entrevistamos o jovem fenômeno da dança, aonde nos contou detalhes de sua conquista como bailarino.
Cia Brasil: Nayon, conte-no mais sobre o caminho que o levou para o Washington Ballet
Nayon: Tudo começou através de um concurso chamado YAGP. Eu vim para os EUA quando tinha 17 anos de idade para competir na rodada final em NY. Lá eu recebi várias bolsas de estudo e uma delas foi para a escola do Washington Ballet, a qual eu aceitei. Eu trabalhei duro, e devagar fui evoluindo. Depois de dois anos na escola, fui convidado a fazer um estágio no Houston Ballet, no Texas, e naquele ano eu decidi me juntar ao Houston. Foi muito difícil! Eu nunca tive que me esforçar tanto em toda a minha vida. Mas no final valeu a pena porque eu aprendi muito. Em 2010 o Washington Ballet me convidou para fazer parte da companhia principal, o que foi incrível porque eu pulei toda uma hierarquia que existe no balé. Normalmente é preciso treinar dois anos na segunda companhia e dois anos como estagiário e depois de todo este processo é que se pode ser considerado um bailarino profissional.
Cia Brasil: Você sofreu preconceito por escolher ser um bailarino?
Nayon: No início foi difícil para os meus amigos entenderem, mas eu nunca dei a mínima. Eu sempre fui certo da minha sexualidade. Eu sempre brinco que a final de contas, eu sempre estive rodeado por meninas bonitas que dançam balé, e eles, não!
Cia Brasil: Há muita competição entre os bailarinos?
Nayon: Muita! A verdade é que dançarinos são muito temperamentais. Há sempre alguém falando mal de você. É uma carreira tão pessoal que é necessário aprender a lidar com isto. Se você receber um bom papel, alguém vai ficar triste e se você receber um papel ruim você vai ficar chateado. É impossível agradar a todos.
Cia Brasil: Qual é a relação entre coreógrafos e bailarinos?
Nayon: Eu diria que é muito pessoal, porque o corógrafo tem que corrigir tudo. Não só a técnica em si, mas também o comportamento e a interpretação, para que o bailarino possa representar o papel que é suposto na coreografia.
Cia Brasil: Você tem um dançarino favorito? Algum com uma técnica semelhante à sua?
Nayon: Acho que cada dançarino tem seu próprio estilo, então não posso realmente me comparar com alguém. Mas eu admiro muitos: Carlos Acosta, Manuel Legris, Rudolf Nureyev, Mikhail Baryshnikov, Connor Walsh, David Hallberg e muito mais... É difícil ter apenas um, porque todos eles são bons de maneiras diferentes.
Cia Brasil: Você ainda fica nervoso ao subir no palco?
Nayon: Quase nunca, a não ser quando tenho que fazer uma coreografia muito difícil tecnicamente.
Cia Brasil: De que consiste a sua dieta?
Nayon: Consiste em proteína (pois eu tenho que levantar muito peso) e fibra. Eu como em pequenas porções, em várias partes do dia, para que eu possa manter a minha energia constante.
Cia Brasil: Qual é a maior diferença entre a dança clássica e contemporânea?
Nayon: Clássica consiste na demonstração da técnica do balé, e a coreografia tem uma história – que normalmente têm três atos. Contemporânea consiste em movimentos do corpo que apresentam a intenção do coreógrafo de expressar um sentimentos ou uma crítica.
Cia Brasil: Bailarinos geralmente tem uma carreira curta por depender tanto do corpo. Quais são seus planos para a sua aposentadoria?
Nayon: Eu gostaria de continuar envolvido com a dança e o exercício físico. Penso em seguir carreira como um personal trainer, um professor de pilates ou mesmo de balé. E isso seria só quando eu realmente não puder mais dançar, pois eu amo o que faço!
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