Home Diário de Pandemia
Diário de Pandemia | SANKOFA E KWANZAA: Aprender com o passado, entender o presente e mover-se para o futuro


Diz um provérbio chinês que começar é metade da ação. Mas como traçar novos planos em um cenário com muitas dificuldades? Diversos pensadores e estudiosos falam e escrevem formas de como podemos fazer isso.

Iyanla Vaant, best seller e palestrante motivacional, aborda a importância de sermos nós mesmos, descobrir quem somos, curar-se de crenças e histórias que nos paralisa, cada um à sua maneira, ouvindo a sua voz interior e ao seu sagrado.

Dean Granziosi, best seller e coach, menciona que se não mudarmos nossa mentalidade, não teremos resultados diferentes, principalmente neste cenário atual. Nesta era de coronavírus teremos que viver de fato a indústria do conhecimento e transformar a sociedade.

Deepak Chopra, best seller em meditação indiana e medicina alternativa, salienta que, embora sejamos minúsculos comparados com o universo, nós somos um milagre da existência no infinito; só a consciência modifica a experiência e para isso a meditação contribui nesse processo de busca da consciência que não somos muita coisa frente ao universo, mas podemos ser uma parte desse infinito quando nos questionamos quem somos e como nos conectamos com o cosmos.

Dr. Maulana Karenga, professor e doutor em estudos africanos e criador do feriado Kwanzaa, afirma que a chave para avançarmos como seres humanos é aprender a compartilhar o mundo de possibilidades que temos com ética. Ele alerta que a sociedade está um pouco equivocada na forma de caminhar e sugere o sankofa como alternativa.


MAS O QUE É SANKOFA?


É um símbolo que representa a necessidade de voltar e reconstruir os valores invertidos, buscar a herança cultural dos antepassados para construir um futuro melhor, reconsiderando as interpretações e homologações do mundo opressor e dominante. Dr. Karenga aborda a importância do multiculturalismo, um caminho para reconhecer e respeitar african americans, native american, latinos, mulheres, asiáticos e portadores de necessidades especiais.



Pensando nesse retorno à base cultural, Dr. Karenga criou a celebração Kwanzaa, iniciada em 1966 baseada em tradições africanas e movimento Black Power, e se direciona para a diáspora nas Américas pautada na família, história e cultura. Esse feriado americano acontece de 26 de dezembro até 1º de janeiro.

Para entender o Kwanzaa, é necessário saber os seus sete princípios:

1. União (UMOJA) - A união de raça, sexo, país, na solução integrada de ações para a Comunidade Diaspórica.

2. Autodeterminação (KUDICHAGULHA) - O direito de se determinar livremente o que somos e a responsabilidade de representar e lutar pelos oprimidos e injustiçados.

3. Trabalho coletivo e responsabilidade (UJIMA) – O trabalho coletivo e a responsabilidade na construção de uma comunidade sadia e da manutenção de sua memória ancestral.

4. Economia cooperativa (UJAMAA) - A força econômica das atividades construída interna e coletivamente com sustentabilidade própria.

5. Propósito (NIA) - A nossa vocação coletiva na construção de suporte comunitários, promovendo a construção de humanidade, de bem-estar na tradição do povo afrodescendente.

6. Criatividade (KUUMBA) – As energias criativas conduzidas eticamente na promoção das práticas ancestrais para a uma comunidade mais bela.

7. Fé (IMANI) – Os elos de esperança e de alegria no alcance e na coragem de construir um mundo melhor.

Estarmos unidos no momento delicado no qual estamos vivendo é fundamental, respeitando toda a diversidade do nosso povo. É importante sentir a necessidade de se unir, trabalhar juntos contra qualquer tipo de opressão como a escravidão, o consumismo, a violência, o racismo, a pobreza e a naturalização das mortes no mundo.



Os princípios do Kwanzaa podem dialogar com as nossas metas de 2021. Muito mais que festejar nossos feriados como se tivesse tudo bem, precisamos nos comprometer nas nossas práticas diárias, unificar ações e debates, criar oportunidades que celebrem a diversidade com ética e responsabilidade, principalmente para quem acredita num mundo melhor e mais humano para todos nós.

Um sistema como o racismo, que nega, difama, destrói a humanidade histórica das pessoas e o direito de serem livres, baseando-se na concepção da raça, não pode ser mais chamado de vitimismo ou “mimimi”.

Todos os teóricos acima dialogam entre si. O sankofa pode nos ajudar a redesenhar cenários com metas sendo nós mesmos, conhecendo nossa história e transformando o futuro da humanidade, sem destruí-la.

O racismo não pode ser visto apenas como resultado de um tráfego econômico, mas como um resultado sistemático, estrutural, ideológico, imposto institucionalmente em todos os segmentos sociais.

As mídias sociais que sempre inviabilizou afrodescendentes, por exemplo, precisam reconhecer nossas feridas e retratar-se com a nossa história e cultura, e serem justas com quem tem feito isso como pessoas aliadas nesta luta. Obrigada à revista CIA Brasil Magazine pela oportunidade de falar sobre nossa luta! Gratidão!



Por Terezinha Ribeiro
This e-mail address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it
Facebook: Terezinha Ribeiro
Instagram: @tmjribeiro

 
« StartPrev1234567NextEnd »

Page 1 of 7

Translate

Portuguese English Spanish