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Editorial | Discussão civilizada
Tuesday, 16 October 2018 00:00

Em um piscar de olhos, o outono apareceu em Atlanta. Finalmente podemos ver as cores da estação mais festiva da nossa comunidade. Mas este ano, há algo a mais para nós brasileiros, o mês de outubro chega trazendo os ventos da mudança.

Nos últimos meses, tem-se ouvido muito sobre a política brasileira. Desde as últimas eleições em 2014, a população brasileira dentro e fora do Brasil tem participado assiduamente das discussões sobre o cenário político.

Os brasileiros desejam e reivindicam um futuro melhor para si e para seus filhos, com uma boa economia, oportunidades de trabalho, melhoria da saúde, segurança pública e o mais essencial, viver uma vida digna e feliz. Privados desses direitos, muitos acabam deixando o Brasil, mas não abandonam, nem por um minuto, o amor por terra natal e pelos que ficaram lá.

Quem critica o brasileiro que mora fora, realmente não conhece o que é essa jornada cheia de emoções boas e ruins, altos e baixos, derrotas e vitórias. A coragem e a vontade de tomar nosso destino em nossas próprias mãos, foi o combustível que nos trouxe até aqui.

Sabemos o que é viver em um país de primeiro mundo, onde temos segurança, saúde, transporte, emprego, e podemos levar e propiciar uma vida de qualidade aos nossos filhos; onde o rico, pobre, branco, negro, azul, amarelo têm o mesmo direito de desfrutar de todas benfeitorias e os impostos que pagamos estão visivelmente aplicados pelas cidades; onde existe punição para a corrupção e as regras e leis são para todos. É difícil não termos um aperto no coração em saber que no Brasil a situação é bem diferente.

Muitos tentam ajudar financeiramente suas famílias que ficaram no Brasil. Por isso, o brasileiro que mora no exterior, tem o direito regido pela Constituição Brasileira de exercer o seu direito cívico de votar nas eleições presidenciais brasileiras. Esta é uma forma de contribuir para um País melhor para todos.

Este ano, a nossa comunidade está de parabéns pela participação nas eleições brasileiras. Nunca se viu tamanha mobilização para ajudar a escolher o novo presidente do Brasil. Mas, infelizmente, esse clima de responsabilidade cívica, está sendo misturado com discussões acaloradas e até agressivas no Facebook e em grupos de WhatsApp, onde pessoas se atacam por conta da ideologia política de familiares e amigos, desfazendo amizades e criando contendas.

Isso nos leva a refletir, será que vale a pena estragar amizades que levaram tantos anos para serem construídas, por causa de rivalidades políticas?

Somente quem vive fora do Brasil vai entender o valor de uma amizade com um outro brasileiro em uma terra estranha. Nem todos possuem um bom relacionamento, mas aqueles amigos mais chegados, acabam se tornando irmãos que encontramos aqui, seguem conosco nos bons e maus momentos e são amizades para toda a vida. Então, não deveríamos compreender melhor nossas ideias, convicções, e argumentos, além de respeitar os deles?

Não caia nessa armadilha! Somos todos seres humanos, e temos nossas falhas. Não podemos esperar que todos concordem com a nossa visão política, religiosa ou esportiva. A mesma civilidade que reivindicamos deve se espelhar em nossa vida. Não guarde mágoas e ressentimentos de quem pensa diferente.

No dia 28 de outubro, vote com consciência e não deixe de fazer a sua parte para melhorar o Brasil. Participar com o seu voto e convicções políticas é importante, mas sem cortar laços com amigos e familiares.

Antes de nos encontrarmos recolhendo os pedaços das nossas amizades e relacionamentos destruídos, vamos refletir nas palavras do escritor francês, nascido na República Checa, Milan Kundera, “… aprendemos a submeter a amizade ao que chamamos de convicções. E até mesmo à fidelidade de uma retidão moral. De fato, é preciso ter muita maturidade para compreender que a opinião que defendemos é apenas nossa hipótese preferida, necessariamente imperfeita, provavelmente transitória, que apenas os mais obtusos podem transformar em uma certeza ou verdade. Ao contrário de uma fidelidade pueril a uma convicção, a fidelidade a um amigo é uma virtude, talvez a única, a derradeira. Hoje, eu sei: na hora do balanço final, a ferida mais dolorosa é a das amizades feridas. E nada é mais tolo do que sacrificar uma amizade pela política”.



Cristiane Castilho
Editora-Chefe
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Last Updated on Tuesday, 16 October 2018 18:34
 
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