Home Opinião
Opinião | Desvendando a ideologia de gênero: um texto fundamental e urgente
Thursday, 16 November 2017 00:00



Por Jordan Campos
Baiano, natural de Salvador, é Terapeuta Cognitivo Transpessoal Sistêmico e Iridólogo, especialista em Fisiologia e Comportamento. Constelador Familiar. Conferencista e Palestrante Internacional, Master em PNL (Programação Neurolinguística), músico e escritor, autor de três livros. Presidente fundador da Farmácia da Alma.
Website: www.jordancampos.com.br



Escrevo as próximas linhas atendendo a muitos pedidos sobre o polêmico e atual tema. Não escreverei um texto imparcial, visto que me posiciono sempre, e este é um dos meus papéis sociais. Vamos lá!

“Ideologia de gênero” é uma crença-não-científica de que os seres humanos nascem sem gênero definido (masculino ou feminino), e que os mesmos são moldados pelos padrões da sociedade, história e cultura. Acreditam seus defensores que os seres humanos nascem iguais e “neutros”, e que apenas depois de passarem por experiências livres podem decidir e se definirem como homens ou mulheres. Eles buscam argumentos nos escritos de Gramsci, Butler, Marx, Beauvoir, todos estes militantes assumidos do ideário de gênero. A palavra gênero, segundo os mesmos, é interpretada apenas como sinônimo do sexo atribuído pelos órgãos genitais. Eles entendem, desta forma, que ter o órgão sexual masculino, por exemplo, não faz com que a pessoa possa ser identificada obrigatoriamente como homem, e que podemos ter vários gêneros. O correto diante dessa crença seria deixar com que cada qual, em seu tempo, decidisse se é homem ou mulher, masculino ou feminino, independentemente de seu gênero biológico. Essa é a linha teórica básica. 

Segundo a ciência, a sexualidade humana é uma característica biológica binária objetiva: “XY” e “XX” são marcadores genéticos saudáveis – e não marcadores genéticos de uma desordem. A norma da concepção humana é ser masculino ou feminino. A sexualidade humana é planejadamente binária com o propósito óbvio da reprodução e da prosperidade da nossa espécie. Esse princípio é auto evidente e lógico. As desordens extremamente raras no desenvolvimento sexual, que incluem, entre outras, a feminização testicular e a hiperplasia adrenal congênita, são todas desvios identificáveis da norma binária sexual, e são reconhecidas como “desordens da formação humana”. Indivíduos que as portam não constituem um “terceiro sexo”, segundo a ciência. A crença de uma pessoa de ser algo que ela não é, na melhor das hipóteses, é um sinal de pensamento confuso.

O American College of Pediatricians diz que “quando um menino biologicamente saudável acredita que é uma menina, ou uma menina biologicamente saudável acredita que é um menino, existe um problema psicológico objetivo, que está na mente, não no corpo, e deve ser tratado dessa forma”. Essas crianças sofrem de disforia de gênero, formalmente conhecida como transtorno de identidade de gênero, uma desordem mental reconhecida na edição mais recente do Manual Diagnóstico e Estatístico da American Psychiatric Association. 

Na minha visão, ninguém nasce com um gênero, mas todos nascem com um sexo biológico que gera consequências químicas e comportamentais que independem do contato social. A autoconsciência, que seria um senso de si mesmo, amadurece com o tempo em todo processo de desenvolvimento, e pode sim ser prejudicada por percepções subjetivas da criança, traumas, relacionamentos e experiências adversas desde a realidade intrauterina até o fim da adolescência. Mas independente disso, permanecemos biologicamente sendo homens e mulheres, e com as consequências hormonais, físicas e neuronais de cada tipo. 

Estudos científicos em neurociência apontam claramente há décadas que existem claríssimas diferenças anatômicas e funcionais entre o cérebro de um homem e de uma mulher (todas as fontes de científicas mencionados neste texto se encontram ao final deste). 

Os estudos mostram com imagens de ressonância magnética funcional essas diferenças nos cérebros e suas peculiaridades e diferenças cognitivas na vida prática. Exemplo de estruturas diferentes: junção temporo-pariental, sulco temporal superior direito, córtex somatosensorial, regiões do hipotálamo e amígdala cerebral. Todas essas estruturas são responsáveis por gerenciamento de crenças, significados, humor, desejos, reatividade etc. São diferentes entre homens e mulheres e alteram as suas diferentes habilidades, preferências e comportamentos. Isso demonstra que a biologia tem uma força significativa na construção e forma de expressão do gênero. Estudos com primatas mostram que machos escolhem brinquedos tipicamente masculinos e fêmeas escolhem brinquedos tidos como femininos. São primatas, não há cultura nesse caso; portanto, essa espontaneidade não depende de fatores culturais, religiosos ou sociais. 

Uma grande falta de informação ou de boa-fé é a confusão entre identidade de gênero e orientação sexual. Coisas que são diferentes, mas usadas de forma associada tendo em vista promover a ideologia de gênero no mesmo patamar de outras causas com respaldo científico, moral e social. Tirando a palavra “ideologia”, que define um movimento organizado, vamos alterar por “identidade” que é algo mais concreto para entendimento. Identidade de gênero significa que um ser do sexo masculino biológico pode ter uma essência feminina e vice-versa. A preferência sexual escolhida é outra coisa bem diferente e diversa, como o bissexualismo, pansexualismo, assexualismo e muitas outras. Identidade de gênero tem a ver com transexuais, por exemplo, que são pessoas que, na angústia de se sentirem não pertencentes ao gênero biológico, passam por intervenções químicas, cirúrgicas e medicamentosas para conseguir adaptar os seus corpos às suas “almas”. Identidade de gênero é algo sério e real, que merece atenção, cuidado, isenção de pré-conceitos e muito respeito. 

O problema começa quando se cria um movimento chamado “ideologia de gênero”, e a expressão é antecedida pela palavra “promoção”. Promover significa viabilizar, usar de recursos de convencimento para elevar a categoria superior uma ideia, produto ou crença. Uma coisa é sabermos que existem conflitos de identidade de gênero que acontecem com crianças e adolescentes. Outra coisa é propagar uma ideologia nas escolas, para crianças que não passam por nenhuma inadequação de gênero e gerar um grande problema onde antes não existia. Não temos uma equipe de saúde mental e comportamental para atender ao caos que gera confusão em quem não tem problema. Crianças e adolescentes adoram uma moda, adoram a desobediência. As escolas já estão correndo atrás do prejuízo com problemas de falta de estrutura e educação familiar, divergências religiosas, diagnósticos verdadeiros e falsos de TDAH, transtorno opositor, dislexia... Agora vão precisar se preocupar com o efeito colateral de gerar esta possibilidade e dúvida na cabeça de suas crianças por conta de uma ideologia-não-científica que se utiliza de uma questão séria que é a identidade de gênero, para se promover como forma de luta e revolta contra instituições ditas burguesas, nos quais seus pensadores de base lutavam contra. 

O Plano Nacional de Educação de 2014, no qual o MEC (Ministério de Educação e Cultura no Brasil) incluiu temas como identidade de gênero, propõe essa promoção, sob um pretexto fraco de “informação”. Não temos professores preparados para isso. E repito: não temos uma equipe de saúde mental e comportamental para atender ao caos que gera confusão em quem não tem problema. Seria como, por saber que 3% da população mundial tem ou terá esquizofrenia, criar um movimento para informar às crianças sobre alucinação, delírios, ouvir vozes, ver monstros e coisas estranhas, e dizer que isso pode acontecer com elas e seus coleguinhas a título de informação. O que acontece? Várias crianças vão passar a dizer que escutam vozes, que veem espíritos e muitas vão começar a delirar e se sentir observadas e perseguidas. Crianças associam tudo como sendo pertencente a elas, e nessa fase de imaginação plena somatizam em comportamentos tudo o que as cerca. Acredito que quem estimula a ideologia de gênero deveria estudar mais sobre forma de aprendizado de crianças, sistema cognitivo etc. Seria maldade ou desinformação? 

Vamos a exemplos práticos. Na Suécia, país de primeiro mundo onde a ideologia de gênero avançou muito e atingiu as escolas, ocorreu um aumento de 40% nas taxas de suicídio e um declínio na qualidade social e psicológica de sua população. É sabido também que a chance de uma pessoa que trocou de sexo venha cometer suicídio é 20 vezes maior do que a população em geral. São dados estatísticos disponíveis de fontes científicas, e não crenças-ideológicas. 

O Manual de Sexualidade e Psicologia da Associação Americana informa que 75% a 95% das crianças e adolescentes que expressam algum tipo de confusão sobre a sua identidade sexual a superam naturalmente. E isso é de extrema verdade visível no dia a dia. É comum pensamentos bissexuais, assexuais, homossexuais e heterossexuais. Logo após a puberdade existe uma associação a uma opção, e que deve ser respeitada e jamais vista como uma anormalidade, salvo se causar sofrimento, o que necessitaria de apoio psicológico, familiar e humano. Mas afirmar que discutir identidade de gênero tem cujo objetivo feminizar meninos, transformar as meninas em lésbicas e destruir a família, é tão irresponsável como a sua promoção. Discriminação sexual é algo abominável, criminoso, assim como promover esta ideologia parece ser. 

No Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Art. 17. temos: “O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.” Logo, atentar contra a formação de identidade de uma criança com uma ideologia que não tem respaldo científico é atentar contra a Humanidade. É pôr em risco a saúde mental das pessoas.

Acabar com o preconceito contra os ainda vistos diferentes, construir relações de gênero mais justas e ressignificar as práticas sociais por meio da construção de uma cultura de paz é um dever de todos nós. Porém, a natureza impositiva dessa ideologia e seus outros interesses conhecidos, mas não declarados, acabam atentando contra a primazia da educação das crianças. Acredito que se deva trabalhar os problemas de identidade de gênero na medida em que eles surjam. Informando sem imposição aos pais sobre tudo isto, treinando professores em relação a este fato, mas jamais com este movimento, no momento crucial de desenvolvimento de nossos filhos. 

No “Guia Escolar”, documento elaborado e publicado pelo MEC que se propõe a ajudar no combate à violência sexual contra crianças, numa rede de proteção à infância, podemos ver trechos que dão margem a intepretações perigosas ao defender “priorização de direito ao prazer” em crianças (pag. 51); ou “garantia de sigilo e privacidade aos estudantes ao falarem e descobrirem sobre sexo” (pag. 54); ou quando mostram que alguns grupos de pedófilos defendem a ideia de que “este tipo de relacionamento (pedofilia) é uma opção sexual e um direito.” (pag. 74); e ao falar da proibição ao incesto dizendo que “esse tipo de interdição transformou a prática do incesto em tabu, tornando o tema controverso e impondo obstáculos a uma abordagem isenta de julgamentos morais.” (pag. 73).

Embora tenhamos um cenário complexo nas relações familiares, pertence a ela com total prioridade a educação de seus filhos. Família educa, escola instrui. Mesmo que existam falhas enormes na educação. O plano óbvio é que no ambiente da escola, com militantes politizados e professores “obrigados” a promoverem a ideologia, essas ideias sejam absorvidas com vigor e promovam uma revolução perigosa, mas exatamente como desejavam os pensadores-não-cientista que servem como base ideológica para esse discurso. Não há nenhuma base científica que sustente a crença dos ideólogos de gênero, a não ser seus pensadores de base: “filósofos” da sociedade. Não devemos, pois, estimular que a mesma seja inclusa para crianças apenas por ser uma ideia com calda de sorvete bonita, mas sorvete interno sem forma concreta. 

Problemas com identidade de gênero são problemas. Levam ao sofrimento, confusão, baixa-estima, ideação suicida e intensa angústia e devem ser tratados com amparo, apoio familiar, estratégia e amor. Discordo completamente da visão limitada de se entender que o ser humano nasce como folha em branco e que todos os traços de sua personalidade virão do contato externo. Temos outra ciência, a epigenética que nos auxilia a entender que trazemos cargas de antepassados que são lidas e modificam a leitura de nosso DNA. O próprio Projeto Genoma mapeou 40 mil genes na tentativa de montar um mapa do ser, e chegou à própria conclusão que existe um fator subjetivo o qual eles não conseguiram mensurar, que “liga tudo” e não está no gene. Algo como uma personalidade congênita que já traz informações, gostos, tendências e conflitos. Reduzir o ser a um papel em branco, como buscam os defensores da ideologia de gênero, é ir na contramão de todos os avanços em compreender a complexidade da formação da personalidade humana. Nossas escolas não são laboratórios e nossas crianças não são cobaias. Nossa educação não pode ser um experimento que é justamente o que falta à ideologia de gênero. 

Este texto busca falar de ciência e lógica, e não de crenças sociais. Este texto reúne argumentos sólidos e abre outras questões a se discutir sobre identidade de gênero. Este texto foi escrito por mim, psicoterapeuta também de crianças e adolescentes, pai de quatro filhos e um professor dedicado.

Faça a sua parte! Se este texto/artigo fez sentido para você, repasse para pais, amigos, professores, diretores de escolas, políticos... Tendo em vista o entendimento pontual de todo este debate que ainda vai render muito e gerar ampliação de consciência para o discurso. 



Fontes: HAUSMANN, 2017; RITCHIE et al, 2017 et al; LARA & ROMÃO, 2013; DELACOSTE et al 2015. Fontes: GUR & GUR, 2017; MCENEW & MILNER, 2017; SACHER et al 2017; POEPPL et al 2016; LOMBARDO et al, 2012; LOMBARDO et al 2012; SWAAB, 2011 e LEVAY, 1991; Estatuto da Criança e do Adolescente; Guia Escolar – MEC; Associação Americana de Psicologia; American College of Pediatricians; American Psychiatric Association.

Last Updated on Thursday, 16 November 2017 17:22
 
« StartPrev12NextEnd »

Page 1 of 2

Translate

Portuguese English Spanish