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Reflexão | Terra de Vera Cruz
Monday, 18 April 2016 00:00

Este foi o nome dado àquele lugar. Terra onde tudo o que se planta se dá. Além dos donos da terra, viviam ali também a Dona Vaca, o Senhor Porco, a Dona Galinha e muitos ratos. Dizem que estes últimos vieram de longe em caravelas. Embora os ratos andassem por aí, viviam todos numa relativa paz, até que um hóspede estranho apareceu por ali: a Serpente.

Aquele lugar, que mais parecia um paraíso, agora estava ameaçado. E quem se deu conta disso foi o Senhor Rato. Ele que andava pela divisa daquelas terras foi quem viu a víbora. Preocupado com aquela visita inesperada, o Senhor Rato resolveu falar com os demais bichos. Primeiro procurou Dona Galinha: − Dona Galinha, a senhora não tem ideia do que eu vi agora a pouco? − perguntou Senhor Rato.

Galinha, percebendo o temor de Rato, também ficou preocupada e perguntou: − O que foi Seu Rato? 

− Eu vi uma serpente − respondeu Rato. − E tem mais: acho que aquela peste está querendo algo daqui; nós precisamos fazer alguma coisa para detê-la; esse bicho é muito perigoso, além de traiçoeiro. Precisamos convocar todos os animais para uma assembleia urgente, para decidir e evitar que esse bicho chegue mais perto. 

Dona Galinha achou graça e falou: − Olha, Senhor Rato, acho melhor o senhor falar com o Senhor Porco, porque ele é um bicho maior e ele com certeza saberá lidar melhor com essa situação. Além do mais, eu ando muito ocupada. E não terei tempo para lidar com isso. 

Desapontado, lá foi Rato falar com Porco: − Senhor Porco, eu acabei de falar com Dona Galinha, nós precisamos nos organizar para enfrentar uma serpente que adentrou em nossas terras. O senhor sabe, né? Esse bicho é muito perigoso e pode acabar nos trazendo dano.

O Senhor Porco, ao ouvir Rato, teve vontade de rir e foi logo dizendo: − O senhor está assim porque faz parte da cadeia alimentar desse bicho. Eu não vou me meter nessa história, é melhor o senhor falar com Dona Vaca. Quem sabe ela possa lhe ajudar. 

Mais uma vez desapontado, Rato saiu resmungando: − Esse bicho é perigoso, e ninguém me dá ouvidos. Essa serpente vai acabar trazendo prejuízo para todos nós. 

− Dona Vaca! − gritou Rato ao avistá-la − Eu preciso lhe falar uma coisa muito séria que está por acontecer nestas terras. Eu já falei com Dona Galinha e com Porco, e eles não me levaram a sério. Nós precisamos fazer uma assembleia nesta fazenda para expulsar destas terras uma jararaca que aqui entrou. Ela é perigosíssima, e com esse bicho não se brinca; ela pode acabar matando alguém aqui da fazenda. 

Dona Vaca, ao ouvir Rato, foi logo dizendo: − Olha, amigo Rato, eu entendo sua preocupação, mas por esses dias eu ando muito atarefada e não vou poder cuidar desse problema agora; tenho muita coisa para fazer. Quanto à cobra, o senhor procure se esconder por alguns dias e tudo se resolverá.

Naquela noite, sem que ninguém percebesse, a cobra acabou entrando na sede da fazenda, e perto do fogão de lenha ainda quente ela se enrolou. A porta da cozinha, por onde a serpente entrou, foi esquecida aberta, e na madrugada, com o vento, a porta começou a bater no portal da casa. A dona da fazenda, não querendo acordar o marido, foi fechar a porta. Ao passar perto do fogão, acabou esbarrando na serpente que instintivamente a mordeu. Ao perceber a fisgada, ela procurou acender o lampião para ver o que estava acontecendo. Nesse meio tempo, a cobra fugiu e a mulher vendo o feixe de lenha do mato cheio de espinhos, pensou: − Acho que me espetei nestes espinhos. − e foi dormir. 

Na manhã seguinte, a mulher estava mal. O fazendeiro chamou a empregada da fazenda e pediu que fosse dar uma olhada na patroa. Logo em seguida a empregada voltou e disse: − Eu acho que a patroa tá muito fraquinha. Penso, patrão, que uma boa canja de galinha vai aprumar sua mulher. 

O fazendeiro então mandou que matassem a galinha e que fizesse a canja. Mas ao invés da mulher melhorar, ela piorou e começou a ter febre alta. A empregada disse, então, ao patrão: − Minha tia, na semana passada, ficou ruim assim também, do jeitinho que a patroa está, e nós fizemos uma comida com banha de porco e ela aprumou. − O patrão não pensou duas vezes; mandou matar o porco. 

À tarde daquele dia, a patroa acabou morrendo. O fazendeiro, desolado, mandou chamar os parentes e amigos, que vieram de longe para o funeral. Como viriam muita gente e passariam a noite velando a mulher, o fazendeiro, então, para não deixar todo aquele povo com fome, mandou matar a vaca para alimentar a multidão.

O Senhor Rato, que de longe presenciou todo o acontecido, falou: − Eu até que avisei que aquele bicho era perigoso e iria acabar matando alguém, mas ninguém me deu ouvidos... Olha aí o resultado: lá se foram a Dona Galinha, o Senhor Porco, a Dona Vaca...

Dizem que a serpente foi lá pros lados do Planalto Central. Está vivendo entre palácios. Alguns já a identificaram. Parece mesmo tratar-se de uma jararaca. Falaram outro dia que tem uns homens de preto com uma espécie de martelo na mão. Uns dizem que precisam matá-la, outros dizem que e melhor capturá-la para preservar a espécie. Resta saber quantos morrerão até que essa cobra seja capturada. 

Genesis 3.1 diz: Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito. E ela perguntou à mulher: “Foi isto mesmo que Deus disse: ‘Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim’? Respondeu a mulher à serpente: “Podemos comer do fruto das árvores do jardim, mas Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão’.

Aqui há duas lições importantes: se você encontrar por aí com alguma serpente, primeiramente você nunca deve falar com ela. Segundo, você nunca deve ouvi-la, pois fará você pensar que o certo e errado e que o errado e o certo.



Ivon Cesar Coutinho
Coordenador do Projeto Habakkuk 2:2,3.
www.Habakkuk223.org

Last Updated on Tuesday, 09 May 2017 20:35
 
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