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Destaque | Médico brasileiro participa de missões médicas da Medical Mission for Children no Peru
Tuesday, 13 September 2016 00:00


Muitas vezes a nossa vida agitada na América não nos deixa parar para refletir nos problemas enfrentados por crianças carentes no mundo inteiro. Enquanto há milhares de opções de ajudá-las por meio de instituições que coletam doações e as repassam a esses países, é uma sensação muito gratificante quando se tem a oportunidade de levar essa ajuda pessoalmente. Essa foi a jornada que o médico brasileiro, Dr. Marcelo Antunes, se dedicou neste verão. Recrutado pela Medical Mission for Children (MMC), com sede em Boston, ele viajou para a cidade de Cuzco, no Perú, para doar seu trabalho médico a crianças carentes e sem acesso à saúde, em especial para crianças com deformações na orelha (Microtia) e que necessitavam de atenção médica.

Dr. Marcelo Antunes nasceu e cresceu em Porto Alegre, no Brasil, e concluiu sua faculdade de Medicina e residência médica no Hospital das Clínicas. Ele se mudou para a Filadélfia e completou treinamentos adicionais na University of Pennsylvania School of Medicine. Também completou especialidade em Facial Plastic and Reconstructive Surgery pela University of Rochester, em Rochester, NY, e um treinamento de ear surgery (cirurgia de orelha) na Suíça.

É especialista em otorrinolaringologia, tratando de obstruções nasais, problemas com sinusite, alergias e problemas com apneia do sono/ronco; e é também especialista em Facial Plastic Surgery (cirurgia plástica facial), realizando cirurgia cosmética de nariz, olhos e face. Atualmente trabalha no Northwest ENT and Allergy Center em Atlanta. Confira mais detalhes sobre a viagem do Dr. Marcelo ao Peru na entrevista a seguir.


Cia Brasil: Como você se conectou com a Medical Mission for Children em Boston para fazer parte desta missão de Cuzco, e por que decidiu se voluntariar?

Dr. Marcelo: Interessei-me no trabalho quando um colega médico em Harward me convidou a participar do projeto humanitário. Desde então viajo com o grupo. Já fui à Guatemala e ao Peru com eles para ajudar as crianças, que, em sua grande maioria, necessitam a cirurgia especializada de Microtia. O trabalho voluntário sempre foi muito importante para mim. Minha mãe sempre me ensinou desde pequeno a importância do trabalho humanitário. Quando eu morava em Porto Alegre, participei de muitas campanhas de vacinação e lavagem das mãos como prevenção a doenças.


Cia Brasil: Qual o processo que médicos voluntários como você precisam fazer para participar uma Mission Trip?

Dr. Marcelo: É preciso demonstrar interesse com a causa humanitária e receber o convite de organizações como a Medical Mission for Children (MMC). Pelo fato de o projeto ser realizado em países fora dos Estados Unidos, as organizações buscam selecionar médicos com um perfil mais tranquilo, abertos a outras culturas, com vocação para tratar de pacientes de pedriatria, trabalho em equipe etc. Os médicos convidados geralmente são sempre contatados para participar de outras Mission Trips e acabamos nos tornando amigos de todos que participam do projeto.


Cia Brasil: Conte-nos mais sobre a cirurgia de “microtia” que você fez na Mission Trip de Cuzco. Você atendeu somente crianças?

Dr. Marcelo: Microtia é uma doença congênita rara, na qual a criança nasce com a orelha deformada. A cirurgia é complexa e consiste em reconstrução da parte estética da orelha; é feita em duas ou três etapas, e a reconstrução é feita a partir da cartilagem da costela do paciente, esculpida no formato da cartilagem de orelha, que é inserida por baixo da pele do ouvido, modelando e dando a aparência de uma orelha mais normal. É uma doença com alta incidência na América Latina, principalmente na América Central, na área dos Andes, Equador e Peru (em outras partes do mundo: China e Vietnã). Por isso atendemos inúmeros casos em todas as Mission Trips que realizamos, na maioria crianças.




Cia Brasil: Quais as outras especialidades que você atendeu?

Dr. Marcelo: O mais comum é o atendimente para pacientes com Microtia, mas também atendemos pacientes com lábios fenda palatina e lábio leoponinos e crianças com anomalidades dentárias. Os atendimentos são divididos por grupos de especialistas de cada área.


Cia Brasil: Quem faz o pós-Operatório dos pacientes que fizeram a cirurgia com você nessa Mission Trip?

Dr. Marcelo: O pós-operatório imediato é feito pela nossa equipe logo após a cirurgia. As cirurgias mais complexas são feitas mais no início da semana para podermos analisar os resultados antes do final da Mission Trip. Para acompanhar os resultados após a cirurgia, essas crianças voltam ao hospital algum tempo depois para receber acompanhamento de cirurgiões locais, que mantêm contato com nossa equipe por email e fotografias, mostrando a recuperação de cada paciente ao longo dos meses.




Cia Brasil: Das 9 “Mission Trips” que você participou, qual foi a sua experiência mais marcante como voluntário até hoje?

Dr. Marcelo: É difícil dizer qual das minhas viagens foi mais marcante. Se eu tiver que falar de uma experiência, me lembro de uma na Guatemala. Uma criança de 10 anos apareceu no hospital sozinha buscando um tratamento para a reconstituição da orelha. Ela disse que viajou durante três dias de ônibus e bicicleta, e que os pais não puderam acompanhá-la por terem que trabalhar e cuidar de seus imãos pequenos. Isso me marcou muito. Durante todas as minhas Mission Trip, percebi o quanto as crianças da América do Sul e América Central são resilientes, valentes e fortes, e pude perceber o quanto o nosso trabalho é importante e apreciado na vida delas.


Cia Brasil: Qual a maior lição/experiência que você leva consigo quando participa de mission trips como a de Cuzco?

Dr. Marcelo: A minha maior lição é perceber o quanto somos afortunados por ter acesso à saúde aqui nos Estados Unidos. Mesmo para aqueles que não possuem seguro de saúde, o acesso a um hospital é muito maior do que nesses países que fizemos Mission Trips, sem falar da tecnologia e técnicas médicas daqui que são de primeira qualidade, além da qualidade de vida em geral.


Cia Brasil: Como foi a sensação de poder ajudar essas pessoas? Você já fez missões como essa para o Brasil? Se não, algum dia pretende fazer?

Dr. Marcelo: Já participei de Medical Mission Trips na China, Filipinas, Vietnã, mas para mim pelo fato de ser brasileiro, e falar português e espanhol, podendo me comunicar diretamente com os pacientes e suas famílias, é muito importante. Nunca tive a oportunidade de fazer uma Medical Mission Trips no Brasil devido a grande burocracia que é realizar esse trabalho dentro do território brasileiro. Mas assim que surgir a oportunidade, participrei com certeza. Fico feliz de poder fazer parte da ajuda médica que as crianças da América Latina tanto precisam.





Da Redação

Last Updated on Tuesday, 13 September 2016 13:31
 
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