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Pela Dra. Katia Adams
Com o reinício das aulas, nosso foco se volta novamente para a escola e o que nossas crianças estão lidando no dia a dia. Alguns comportamentos que não eram vistos antes podem ser percebidos agora com novo ambiente escolar.
O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), como é chamado no Brasil, ou ADHD (Attention Deficit Hyperactive Disorder) e ADD (Attention Deficit Disorder), como échamado aqui nos EUA, é uma condição médica.
Cerca de 19% das crianças em idade escolar tem algum problema de comportamento. Metade dessas crianças tem o TDAH. Essa condição é duas a três vezes mais presente em meninos que em meninas e o diagnóstico geralmente ocorre na idade escolar.
Os sintomas
A criança deve apresentar sintomas em duas condições ambientais diferentes (por exemplo: escola e em casa) pelo menos seis meses. Existem 3 tipos: desatento, hiperativo e misto.
As características do desatento são:
- Diminuição de concentração, não é capaz de terminar uma tarefa;
- Facilmente distraída, perde coisas facilmente, esquece material da escola em casa;
- Desorganização;
- Falta de planejamento na execução de tarefas, tenta postergar tarefas para a última hora.
Já as do hiperativo são:
- Não para quieto, parece “ligado no 220”, “tem bicho carpinteiro”;
- Corre e sobe em lugares inapropriados;
- Responde sem pensar;
- Interrompe os outros numa conversa;
- Fala demais na sala de aula;
- Não espera sua vez para falar ou durante uma brincadeira.
Algumas criancas apresentam sintomas de ambos os tipos (tipo misto). Porém, nem toda criança que não presta atenção e é distraída, tem TDAH. Existem outras condições que podem se confundir com TDAH como problemas de visão e audição, efeito colateral de medicações como anti-histamínicos, anticonvulsivantes, problemas com tiroide e problemas específicos do processo de aprendizagem, depressão, problemas com o ambiente, quer ele seja o ambiente fisico ou social e até um desalinhamento entre a capacidade de aprendizado da criança e o currículo que a escola apresenta. Tudo isso deve ser excluído antes do diagnóstico de TDAH.
As causas e o diagnóstico
Existe uma tendência familiar. Pais com TDAH apresentam maior chance de que seus filhos tenham a mesma condição. Existem vários estudo mostrando que essa condição não é uma fator cultural ou fruto de como os pais educam seus filhos ou de conflitos psicológicos. As crianças com TDAH têm um transtorno na química cerebral na área frontal que é responsável pela inibição do comportamento, concentração, memória e organização.
É importante lembrar que o diagnóstico de TDAH deve ser feito por um profissional de saúde. Apenas a presença de alguns sintomas de uma lista na internet não é suficiente. Além dos sintomas em casa, eles devem estar presentes na escola e a comunicação com os professores tem um papel essencial no diagnóstico e tratamento da criança.
Muitas vezes o profissional de
saúde da área básica (pediatra ou
médico de família) requisita uma avaliação
mais profunda de profissionais
de saúde que são especializados em
TDAH, geralmente psicológos.
O tratamento
Assim como outras doenças, o
tratamento do TDAH começa em casa.
Um ambiente onde existem regras claras
que possam ser seguidas facilita a
vida dessas crianças. Elas precisam de
estrutura: hora para acordar, estudar,
comer, brincar, fazer lição e dormir.
A comunicação com a criança
deve ser clara e calma, olhando no
olho dela para que você tenha certeza
que ela está ouvindo e entendendo.
A família deve encorajar a prática de
esportes para promover a autoestima,
que geralmente é baixa nessas
crianças. Engajar em grupos de apoio
também é muito importante. Intervenções
comportamentais, como recompensa
por bom comportamento
ou pelo esforço na escola, mesmo
que o resultado não seja o melhor,
são encorajadoras.
O (a) professor(a) será requisitado
a responder questionários sobre o
comportamento e desempenho escolar
da criança que será comparado
com o questionário que os pais responderão
no decorrer do tratamento
médico para avaliação da eficácia da
medicação.
A escola também tem por lei o
dever de proporcionar um ambiente
adequado para a criança com TDAH,
tutores para ajudar no aprendizado
(se for o caso), maior tempo para fazer
provas etc.
A psicoterapia do tipo Cognitivo
Comportamental também é recomendada.
Nela, a criança aprende
como lidar com situações da escola e
de casa de uma forma mais aceitável
socialmente, especialmente as que
têm comportamento hiperativo.
As medicações para o tratamento
do TDAH melhoram os sintomas.
Apesar de alguns estudos mostrarem
que os sintomas tendem a melhorar,
mesmo sem tratamento, na maioria
das crianças quando elas atingem o
final da adolescência, a criança que
é tida como distraída ou pertubadora
na classe pode crescer com baixa
autoestima, desenvolver depressão e
não desenvolver todo o potencial que
tem. Por esse motivo, o tratamento
medicamentoso é recomendado.
O tratamento medicamentoso
tradicional é feito através de estimulantes,
que agem na área frontal do
cérebro, que é onde a produção está
deficitária. Mais recentemente, novas
drogas não estimulantes também estão
disponíveis. Estudos mostram que
a maioria delas são equivalentes no
controle dos sintomas. A escolha de
uma droga em lugar de outra se deve
aos efeitos colaterais e da forma que
a criança responde a uma droga em
relação a outra. Os efeitos colaterais
mais comuns dos estimulantes são
insonia, perda de peso por perda do
apetite, diminuição da velocidade do
crescimento, palpitações e aumento
da pressão arterial.
Existem estimulantes que são
de ação prolongada e outros de curta
ação. Algumas vezes, o profissional
de saúde os associa para proporcionar
uma duração maior do efeito da
medicação fazendo com que a criança
possa fazer a lição de casa de forma
eficiente ao chegar da escola, sem que
os efeitos se prolongem e interfiram
com o sono ou com o apetite para o
jantar.
Acompanhamento
É importante que as crianças tenham
um acompanhamento de perto
nos primeiros meses de tratamento
para avaliar efeitos colaterais e eficácia
do medicamento. Normalmente,
essas crianças são reavaliadas mensalmente
nos primeiros meses de
tratamento e depois a cada 3 meses
de acordo com as recomendações
do profissional de saúde que esta
cuidando da criança.

Dra. Katia Adams, MD.
Médica brasileira: Clínica-Geral no Northeast Georgia Physicians Group - Dawsonville.
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