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Comportamento | Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
Monday, 24 September 2012 00:00

Pela Dra. Katia Adams


Com o reinício das aulas, nosso foco se volta novamente para a escola e o que nossas crianças estão lidando no dia a dia. Alguns comportamentos que não eram vistos antes podem ser percebidos agora com novo ambiente escolar.

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), como é chamado no Brasil, ou ADHD (Attention Deficit Hyperactive Disorder) e ADD (Attention Deficit Disorder), como échamado aqui nos EUA, é uma condição médica.

Cerca de 19% das crianças em idade escolar tem algum problema de comportamento. Metade dessas crianças tem o TDAH. Essa condição é duas a três vezes mais presente em meninos que em meninas e o diagnóstico geralmente ocorre na idade escolar.


Os sintomas


A criança deve apresentar sintomas em duas condições ambientais diferentes (por exemplo: escola e em casa) pelo menos seis meses. Existem 3 tipos: desatento, hiperativo e misto.

As características do desatento são:

  • Diminuição de concentração, não é capaz de terminar uma tarefa;
  • Facilmente distraída, perde coisas facilmente, esquece material da escola em casa;
  • Desorganização;
  • Falta de planejamento na execução de tarefas, tenta postergar tarefas para a última hora.

Já as do hiperativo são:

  • Não para quieto, parece “ligado no 220”, “tem bicho carpinteiro”;
  • Corre e sobe em lugares inapropriados;
  • Responde sem pensar;
  • Interrompe os outros numa conversa;
  • Fala demais na sala de aula;
  • Não espera sua vez para falar ou durante uma brincadeira.

Algumas criancas apresentam sintomas de ambos os tipos (tipo misto). Porém, nem toda criança que não presta atenção e é distraída, tem TDAH. Existem outras condições que podem se confundir com TDAH como problemas de visão e audição, efeito colateral de medicações como anti-histamínicos, anticonvulsivantes, problemas com tiroide e problemas específicos do processo de aprendizagem, depressão, problemas com o ambiente, quer ele seja o ambiente fisico ou social e até um desalinhamento entre a capacidade de aprendizado da criança e o currículo que a escola apresenta. Tudo isso deve ser excluído antes do diagnóstico de TDAH.


As causas e o diagnóstico


Existe uma tendência familiar. Pais com TDAH apresentam maior chance de que seus filhos tenham a mesma condição. Existem vários estudo mostrando que essa condição não é uma fator cultural ou fruto de como os pais educam seus filhos ou de conflitos psicológicos. As crianças com TDAH têm um transtorno na química cerebral na área frontal que é responsável pela inibição do comportamento, concentração, memória e organização.

É importante lembrar que o diagnóstico de TDAH deve ser feito por um profissional de saúde. Apenas a presença de alguns sintomas de uma lista na internet não é suficiente. Além dos sintomas em casa, eles devem estar presentes na escola e a comunicação com os professores tem um papel essencial no diagnóstico e tratamento da criança.

Muitas vezes o profissional de saúde da área básica (pediatra ou médico de família) requisita uma avaliação mais profunda de profissionais de saúde que são especializados em TDAH, geralmente psicológos.


O tratamento


Assim como outras doenças, o tratamento do TDAH começa em casa. Um ambiente onde existem regras claras que possam ser seguidas facilita a vida dessas crianças. Elas precisam de estrutura: hora para acordar, estudar, comer, brincar, fazer lição e dormir.

A comunicação com a criança deve ser clara e calma, olhando no olho dela para que você tenha certeza que ela está ouvindo e entendendo.

A família deve encorajar a prática de esportes para promover a autoestima, que geralmente é baixa nessas crianças. Engajar em grupos de apoio também é muito importante. Intervenções comportamentais, como recompensa por bom comportamento ou pelo esforço na escola, mesmo que o resultado não seja o melhor, são encorajadoras.

O (a) professor(a) será requisitado a responder questionários sobre o comportamento e desempenho escolar da criança que será comparado com o questionário que os pais responderão no decorrer do tratamento médico para avaliação da eficácia da medicação.

A escola também tem por lei o dever de proporcionar um ambiente adequado para a criança com TDAH, tutores para ajudar no aprendizado (se for o caso), maior tempo para fazer provas etc.

A psicoterapia do tipo Cognitivo Comportamental também é recomendada. Nela, a criança aprende como lidar com situações da escola e de casa de uma forma mais aceitável socialmente, especialmente as que têm comportamento hiperativo. As medicações para o tratamento do TDAH melhoram os sintomas.

Apesar de alguns estudos mostrarem que os sintomas tendem a melhorar, mesmo sem tratamento, na maioria das crianças quando elas atingem o final da adolescência, a criança que é tida como distraída ou pertubadora na classe pode crescer com baixa autoestima, desenvolver depressão e não desenvolver todo o potencial que tem. Por esse motivo, o tratamento medicamentoso é recomendado.


O tratamento medicamentoso


tradicional é feito através de estimulantes, que agem na área frontal do cérebro, que é onde a produção está deficitária. Mais recentemente, novas drogas não estimulantes também estão disponíveis. Estudos mostram que a maioria delas são equivalentes no controle dos sintomas. A escolha de uma droga em lugar de outra se deve aos efeitos colaterais e da forma que a criança responde a uma droga em relação a outra. Os efeitos colaterais mais comuns dos estimulantes são insonia, perda de peso por perda do apetite, diminuição da velocidade do crescimento, palpitações e aumento da pressão arterial.

Existem estimulantes que são de ação prolongada e outros de curta ação. Algumas vezes, o profissional de saúde os associa para proporcionar uma duração maior do efeito da medicação fazendo com que a criança possa fazer a lição de casa de forma eficiente ao chegar da escola, sem que os efeitos se prolongem e interfiram com o sono ou com o apetite para o jantar.


Acompanhamento


É importante que as crianças tenham um acompanhamento de perto nos primeiros meses de tratamento para avaliar efeitos colaterais e eficácia do medicamento. Normalmente, essas crianças são reavaliadas mensalmente nos primeiros meses de tratamento e depois a cada 3 meses de acordo com as recomendações do profissional de saúde que esta cuidando da criança.



Dra. Katia Adams, MD.


Médica brasileira:
Clínica-Geral no Northeast Georgia Physicians
Group - Dawsonville.

Last Updated on Thursday, 27 September 2012 20:03
 
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