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Comportamento | Convivendo com o transtorno bipolar
Monday, 18 September 2017 00:00


A conversa agora é sobre o transtorno bipolar, conhecida como uma doença maníaco-depressiva. É senso comum (termo usado popularmente sem base científica) quando ouvimos alguém dizer que fulano é bipolar, pois hora apresenta impulsos de raiva e momentos depois esta bem, da mesma forma que rotulam uma pessoa dizendo que está com depressão porque está triste ou chorando.

A doença psiquiátrica, bipolar, é caracterizada pela sua acentuada variação de humor, com crises repetidas de depressão e mania (euforia). Essas crises podem ser leves, moderadas ou graves, interferindo nas sensações, emoções, pensamentos e comportamento, gerando perda de saúde e da autonomia da personalidade.


Entendendo a mania ou euforia


Constituem um estado de humor agitado, elevado, eufórico ou irritável. No início da crise, pode ser considerada feliz, alegre, sociável, falante, autoconfiante, inteligente e criativo. Mas com a elevação do humor e a aceleração psíquica podem surgir alguns ou todos os seguintes sintomas:

  • Distração;
  • Recusa do tratamento por não reconhecer que está doente; em alguns casos responsabiliza os outros por suas atitudes;
  • Poucas horas de sono;
  • Diminuição da capacidade de discernimento;
  • Uso abusivo de álcool e/ou drogas;
  • Aumento do desejo sexual, desinibição e escolhas inadequadas de parceiros;
  • Gastos excessivos com objetos desnecessários;
  • Hiperatividade e pensamento acelerado;
  • Fala alta, rápida, em excesso, mudando de assunto;
  • Narcisismo, com ideia distorcida de suas habilidades e capacidades;
  • Irritabilidade por motivos banais; tornando-se exigente quando não é atendido.

Depressão


É o estado de tristeza e desamparo. Por ser caracterizado por um estado de depressão grave, pode apresentar vários dos seguintes sintomas:

  • Desânimo, sensação de fracassos ou incapacidades, pensamentos negativos intermitentes;
  • Baixa estima, com sentimentos de inutilidade e culpa;
  • Dificuldade para se concentrar, tomar decisões simples, pensamento lento, memoria prejudicada;
  • Perda de interesse nas atividades de rotina como trabalho e contato social com familiares e amigos;
  • Alteração do apetite com perda ou ganho de peso;
  • Baixa energia, cansaço, mas também, agitação e inquietação;
  • Alterações do sono: dorme muito ou apresenta insônia;
  • Ausência do desejo sexual;
  • Choro muito ou vontade de chorar sem ser capaz;
  • Pensamentos sobre morte e suicídio; tentativas de suicídio;
  • Uso abusivo de alcoólicas ou de outras drogas;
  • Delírio ou relato de ouvir vozes que acusam e apontam sua incapacidade e fracasso.

Tipos de transtorno bipolar


O transtorno bipolar tipo 1 possui um episódio de mania com duração média de 7 dias (pode ser necessário cuidados hospitalares dependendo da gravidade) e períodos de depressão grave. Podem ocorrer também episódios de depressão com características mistas (depressão e mania ao mesmo tempo), ou seja, as crises chamadas mistas ocorrem quando a pessoa tem, durante a mesma crise, sintomas de depressão e mania.

Já o transtorno bipolar tipo 2 possui episódios mais leves de mania, chamados de hipomania. Apresenta períodos de alta energia e impulsividade, mas não são tão intensos, alternando com episódios de depressão.

O transtorno bipolar tipo 3 é ciclotimia, considerada como um transtorno bipolar leve, com oscilações de humor menos grave, alterando entre hipomania e depressão leve. Nesses casos, o diagnóstico deve ser criterioso para não ser confundido com depressão.

E ainda há outros transtornos bipolares, relacionados especificados e não especificados – definidos por sintomas de transtorno bipolar que não correspondem às três categorias listadas acima.

De acordo com dados do National Institute of Mental Health – NIMH, o transtorno bipolar afeta cerca de 27 milhões de pessoas em todo mundo. Analisando apenas de maneira nacional, o dado é ainda mais alarmante. De acordo com a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB), o distúrbio atinge cerca de 4% da população.

Pesquisas apontam que o tipo de personalidade, fatores exógenos, como estresse, experiências traumáticas como abuso sexual, fatores genéticos (já que pessoas que apresentam histórico familiar da doença são mais suscetíveis), desequilíbrio hormonal e fatores biológicos, são algumas das possíveis causas e desencadeamento da doença.

Não é possível precisar a duração das crises, ou seja, no transtorno bipolar sem tratamento cada fase pode durar, em geral, de três a seis meses, passando depois a uma fase de normalidade que é variável e seguindo uma fase de euforia com a mesma. Ainda não existem casos de cura, mas com tratamento adequado este período pode ser controlado, com medicação e rigoroso acompanhamento médico e psicológico, onde sua ação diminui os riscos de recaídas, tanto das crises de depressão como de mania.

O acompanhamento psicológico individual e familiar é primordial. É de extrema importância que psicólogos, médicos e pacientes trabalhem juntos, falando abertamente sobre os procedimentos. Anotações com registros dos sintomas de humor diário, controle medicamentos, sono e eventos da vida, podem ajudar os envolvidos no tratamento mais eficaz.

As informações a população sobre as doenças mentais ainda são muito confusas e, com isso, gera o preconceito (pré-conceito de algo que se desconhece). Com isso, o sofrimento é ainda maior, já que após as crises, a pessoa passa por graves transtornos no ambiente familiar e ou profissional.

As mudanças nas estações do ano podem interferir nas oscilações de humor, podendo apresentar picos de mania ou hipomania durante a primavera e o verão, e sintomas de depressão no outono e inverno.

O importante é estar informado. Afinal, o preconceito com a doença trará sofrimento a pessoa e seus familiares. O paciente bipolar necessita de ajuda e apoio.



Por Rosemeire Guimarães
Psicóloga e Neuropsicóloga CRP 6/93955
55 11 98445 8816 (whatsapp)
Email: This e-mail address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it (Skype)
Site: www.psiquecogitare.com

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Last Updated on Monday, 18 September 2017 12:38
 
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