Home Cia Humor
Cia Humor | Relatos de um Halloween
Monday, 14 November 2016 00:00

Ser abordado pela polícia em plena madrugada e, o pior de tudo, ainda ser detido, tudo isso está longe de ser um final de noite perfeito. Acho que esse não é o tipo de after party que uma pessoa normal espera depois de uma noitada de Halloween.

Mês de outubro é um mês maravilhoso, cheio de festas e comemorações para todos os gostos. Tem Halloween, Oktoberfest, às vezes as duas festas juntas, e sem falar na quantidade de aniversariantes nesse mês tão legal.

Depois de quatro festas à fantasia no mesmo mês, não me sobrou muita criatividade na hora de escolher o figurino, e foi assim que eu acabei saindo de casa fantasiado de panda. Até aí tudo normal, sem levar em conta que neste ano foram registradas temperaturas altas recordes para o último final de semana de outubro. Ou seja, a fantasia de pelúcia que seria quente e aconchegante em uma nevasca com temperaturas extremas negativas, naquele final semana “de verão” fora de época, comparar minha fantasia com uma sauna seria delicado da minha parte.

Então, para amenizar o calor, eu tive a brilhante ideia de vestir o mínimo de roupas possível por baixo do forno à lenha aceso, quer dizer, da fantasia de panda. Para piorar, antes de sair de casa, eu já estava apresentando sintomas de desidratação.

Resolvi ingerir bastante líquido durante toda a noite (lembre-se deste detalhe, será  bastante importante daqui a pouco) e foram incontáveis garrafas de água, copos de suco, refrigerantes e cerveja durante a noite, E assim a fantasia que já estava quente continuou. Foi então que comecei a transpirar muito e aquilo que estava me assando, passou a me cozinhar, era uma mistura de bom com ruim que parecia durar a noite toda, até que outra preocupação maior tomou conta de mim.

Já se passavam das 3 da manhã e depois de ter ingerido todos aqueles líquidos  (lembra que eu falei que esse detalhe era importante), me lembrei de que era impossível eu ir ao banheiro sozinho, pois o zíper da fantasia ficava nas costas e não havia a menor possibilidade de minha mulher entrar no banheiro masculino para me ajudar. Eu até pensei em pedir ajuda a alguém no banheiro, mas esse tipo de coisa na dá pra pedir para qualquer um, soaria muito estranho para a pessoa e muito mais constrangedor para mim. Então segurei a vontade de ir ao banheiro ao máximo.

Por um lado, foi até bom porque comecei a suar frio, daí refrescou um pouco. Mas chegou a um estágio que já estava insustentável. Então chamei minha esposa para irmos embora o mais rápido possível, e para cada tchau que eu falava enquanto ia em direção à porta, eu pensava “é hoje que eu mijo na roupa.”

Quando entramos no carro, a única coisa que eu pensava era chegar logo em casa. Então eu saí acelerando. A cada curva que eu passava, mais rápido eu dirigia e quanto mais próximo eu chegava da minha casa, mais arrepiado eu ficava. Quando eu fiz a última curva para entrar na minha rua, uma viatura ligou suas luzes e veio atrás de mim sinalizando para parar. Nessa hora, a única coisa que veio na minha cabeça foi: “hoje não é um bom dia para ser preso; o que os meus colegas de celas vão pensar de um homem fantasiado de panda e todo mijado?” Ali eu já perderia a razão em qualquer discussão futura. Mas, felizmente, fui apenas advertido por dirigir em alta velocidade e rapidamente fui liberado.

Agora, se cheguei em casa a tempo de evitar uma tragédia, isso eu não vou contar.



Kleber Pedroso
Humorista e redator

Last Updated on Thursday, 04 May 2017 14:35
 
« StartPrev12345678910NextEnd »

Page 4 of 11

Translate

Portuguese English Spanish