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Cia Humor | Visita inesperada
Tuesday, 16 August 2016 00:00

Vivemos cercados por vegetações: árvores, pinheiros, arbustos e grama. Muita grama, uma imagem que eu não tinha sobre os Estados Unidos. Eu sempre imaginei que viver aqui seria sinônimo de viver rodeado de arranha-céus e pouquíssimo verde. Sem falar na quantidade de animais silvestres soltos entre as casa. É uma cena muito comum essa de se deparar com esquilos, lebres, coelhos, veados e até gambás e ratos. Mas é uma pena mesmo quando esses dois cenários se misturam e acabam passando um pouco do ponto e nos trazendo uma visita nada amigável. Ou seria melhor dizer uma visita inesperada?

Minha esposa, sempre muito dedicada, é sempre a primeira a se levantar todos os dias pelas manhãs, cumprindo todos os seus rituais matinais e se direcionando a cozinha para preparar nosso café, para, enfim, sairmos para nosso trabalho.

Em um desses dias, minha esposa chega à cozinha, um pouco sonolenta talvez, e começa a preparar nosso café da manha quando ela percebe que no piso da cozinha estão dois limões que ela havia jogado no lixo na noite anterior. Ruídos. Nessa hora, nosso mundo quase veio ao chão junto com os limões.

Minha esposa se desespera e começa a gritar. Mas não era um grito de um simples desespero. Na verdade, parecia que a casa estava sendo invadida por alienígenas. Saí correndo do quarto para socorrê-la, quando me deparei com a cena dos limões ao chão. Na hora não tivemos dúvidas! Por mais que mantivemos nossa casa limpa, evitando deixar lixos abertos ou mesmo resto de comida, nossa casa tinha um intruso.

Nesse momento tive que agir e tomei uma atitude: voltei pra cama e dormi por mais 20 minutinhos porque ainda estava muito cedo. Quando acordei, ainda estava possuído por um sentimento estranho, um ódio de um animal que, por agir por seu instinto, roeu dois limões que eu nem queria mais, pois havia jogado no lixo. Esse animal não me roubou, ele não abriu minha geladeira e pegou minha cerveja, ele só pegou os limões no lixo; e ele nem comeu, só roeu.

Mas isso foi mais que suficiente para que eu o odiasse. Resolvemos tomar café na rua e, antes de ir trabalhar, voltei em casa após ter comprado uma dezena de ratoeiras, venenos e armadilhas, no ímpeto de colocar um fim na vida desse roedor de limões.

Chegando em casa após o trabalho, notei que as ratoeiras estavam mexidas e que o rato, em um ato de total desrespeito, descumpriu todo um protocolo de que “todos os roedores esperam os donos da casa dormir para que eles possam sair de seus esconderijos”. Isso me deixou ainda mais furioso e achando estranho que todos os alimentos que eu havia colocado nas ratoeiras estavam comidos, e nenhuma ratoeira estava desarmada. Vasculhei toda a casa a procura desse marginal e nada encontrei. Então coloquei mais ratoeiras com frutas e algumas com queijo. Na manhã seguinte, mais uma surpresa: toda a comida havia sumido e as ratoeiras intactas sem desarmar.

No início achei que fosse uma pegadinha ou que se tratava de um fantasma. Mas logo percebi que eu estava diante de um rato muito esperto e isso me chamou muito a atenção. Repeti todo o processo de colocar comida nas ratoeiras e ir para o trabalho. Essa rotina de alimentar o “Jeff” durou uma semana.

Ahh... antes que eu me esqueça, “Jeff” é o nome que eu dei ao rato, que já fazia parte da nossa rotina. Minha esposa queria chamá-lo de Mickey, mas não achamos apropriado.

Então finalmente “JEFF” misteriosamente sumiu.

Ficamos um pouco preocupados porque ele não mais comia o que deixávamos para ele, nem mesmo quando deixávamos o seu queijo roquefort salpicado com um pouquinho de páprica (esse era seu prato favorito). Acreditamos que ele tenha encontrado outra família, e nos deixado para finalmente levar nossas vidas, sem mais visitas inesperadas.



Kleber Pedroso
Humorista e redator

Last Updated on Tuesday, 16 August 2016 20:10
 
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