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Hoje em dia, com o aumento da obesidade, não só nos EUA mas também no Brasil, o número de pessoas que se tornam
diabéticas é cada vez maior. Coincidência? De forma alguma. Saiba por quê.
O diabetes mellitus ocorre quando o hormônio insulina não consegue colocar o açúcar para dentro das células de uma
forma efetiva. Isso ocorre porque o corpo está resistente à insulina; embora em quantidades adequadas, ela não consegue
fazer sua função. Ou seja, o pâncreas não está produzindo insulina suficiente, seja porque não tem mais células capazes
disso, ou porque a demanda é muito grande.
O primeiro tipo é o mais comum e é chamado de diabetes tipo 2, em que existe uma resistência das células à insulina.
Isso ocorre com mais frequência nas pessoas obesas e na idade adulta. Hoje em dia, com o aumento da obesidade em crianças,
alguns casos de tipo 2 estão sendo diagnosticados nelas, mas isso não é a regra.
Quando existe falta de insulina, falamos no tipo 1, que é diagnosticado em crianças e adolescentes. Normalmente, o
diagnóstico desse tipo de diabetes é feito quando a criança é hospitalizada com uma complicação grave, comum com esse
tipo de diabetes, chamado cetoacidose. A criança tem um caso de desidratação grave, com vômitos e pode até entrar em coma.
Um terceiro tipo é o diabetes gestacional que ocorre durante os últimos meses de gravidez, e que se resolve após o parto.
Essas mulheres, entretanto, possuem um risco maior de voltar a desenvolver diabetes mais tarde.
Hoje em dia, fala-se também muito do pré-diabetes. Essa é uma condição que, como o nome diz, ocorre antes da pessoa
se tornar diabética. O açúcar está alto, porém não a níveis de diabetes. Essa é uma grande oportunidade para a pessoa
rever seu estilo de vida e fazer mudanças que possam causar uma melhora no nível de açúcar no sangue e evitar o diabetes
e suas complicações por completo.
O diabetes causa sintomas como sede excessiva, aumento das vezes e de quantidade que a pessoa urina e fome constante.
Algumas pessoas também têm distúrbios de visão, perda de peso sem explicação, feridas que não cicatrizam, pele seca e
descamativa, cansaço, formigamento de mão e pés.
Existem vários tipos de exames que podem ser feitos: medida da glicose (açúcar) em jejum, teste de tolerância
à glicose e hemoglobina glicosilada (que mede a média do açúcar nos últimos três meses). Todo adulto deve fazer esse
exame ao menos uma vez, principalmente se existirem fatores de risco com obesidade no histórico familiar.
Independente de quão alto é a glicose, a mudança no estilo de vida é parte fundamental no tratamento. Uma mudança
é no hábito alimentar, eliminando doces e bebidas açucaradas, e aumentando o número de legumes, verduras e grãos
integrais na dieta. A cessação do tabagismo também é fundamental, pois a nicotina presente no cigarro adiciona outro
fator de risco para doença cardíaca.
O diabético tem um risco maior para infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e doença arterial periférica,
pois existe um favorecimento de formação de placa de aterosclerose na luz das artérias. Por isso, pacientes diabéticos
precisam manter os níveis de colesterol mais baixo do que a população em geral para minimizar esse risco.
O tratamento do diabetes inclui uma mudança no estilo de vida também com relação à atividade física. Quando estamos
nos exercitando, nossos músculos estão “queimando” açúcar e isso abaixa o nível no sangue e diminui a necessidade de
insulina. Além disso, o exercício aumenta o colesterol HDL que protege as artérias do colesterol ruim, o LDL. Um alto
valor no HDL é um fator protetor em todas as pessoas. Exercitar 120 minutos por semana, no mínimo, é o recomendado pela
maioria das organizações médicas que tratam de diabéticos.
Existem varias medicações para tratar do diabetes, desde comprimidos até injeções de insulina no subcutâneo.
O diabetes é uma doença progressiva que pode ser controlada, porém com o tempo mais medicação é necessária para
manter esse controle. Assim, o fato de se precisar usar insulina em alguma etapa do tratamento é normal e não significa
que houve um fracasso no tratamento. Como as pessoas estão vivendo mais tempo, existe mais possibilidade de se ter que se
usar insulina. Isso acontece porque o pâncreas esgotou sua capacidade de produzir insulina suficiente, mesmo com ajuda
de medicação. Existe uma nova classe de medicamentos que também é injetável e muitas vezes é usada antes da insulina.
Essa medicação é chamada de GLP1, e possui a vantagem de não abaixar o açúcar a nível abaixo do normal (hipoglicemia),
o que é muito importante.
O objetivo do tratamento é manter a glicose a níveis normais. Isso evita as complicações do diabetes que incluem:
doenças cardiovasculares, doença renal que pode levar a insuficiencia renal e diálise, doenças na retina que causam
perda de visão e doenças nos nervos periféricos com diminuição da sensação tatil e formigamento em mão e pés.
A taxa de perda de membro nos diabéticos é muito alta em consequência da combinação da doença vascular e da doença
nervosa. Com a circulação não estando boa, um ferimento, que não é percebido (por falta de sensação tatil), não cicatriza,
aumenta e pode levar a disseminação da infecção ou perda do membro. É muito importante o exame dos pés pelos médicos, sendo
parte do exame de rotina do paciente diabético. Ainda fazem parte da rotina do diabético o exame oftalmológico anual para
diagnóstico de doença na retina, e tratamento precoce e exame de urina para verificar se existe dano renal pelo diabetes.
O diabetes não tem cura, porém seu tratamento teve muitos avanços no tratamento e diagnóstico. Os pacientes diabéticos
vivem muito mais e com melhor qualidade de vida quando estão com seu “açúcar no sangue” bem controlado.

Dra. Katia Adams, MD.
Médica brasileira: Clínica-Geral no Northeast Georgia Physicians Group - Dawsonville.
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